Antes da apresentação da @bethsaad na ultima terça-feira, conversávamos a respeito da capacidade de impacto da rede nos leitores digitais e o contraponto disso sobre, especificamente, a circulação dos jornais de papel.
Sabe-se que a circulação cai ano a ano. Em um momento nos perguntamos: e a taxa de encalhe dos jornais nas bancas?
Jornais como a Folha de SP ou o Estadão, hoje em dia, podem imprimir em média 200.000 mil exemplares por dia. Quantos vão para os assinantes e quantos vão para as bancas? São números que somente as agências de publicidade, os jornais e as distribuidoras possuem, que servem para calcular o quanto de investimento de publicidade vai para cada veículo.
Para quem não sabe o encalhe é o número de jornais não vendidos que são devolvidos para a distribuidora, retornando assim para os veículos que imprimiram. Ou seja: é o que ficou encalhado nas bancas.
Então vejam vocês, o universo brasileiro, de 180 milhões de pessoas, é muito maior do que os gatos pingados que leem os jornais brasileiros e ainda sim é esta pequena parcela, detentora de boa parte do PIB brasileiro, que dita as regras para o resto do país, impondo via veículos de comunicação sua maneira de pensar e agir, criticando investimentos sociais sem reconhecer o impacto destes serviços na vida dos cidadãos.
Diante disto, os sites de contraponto na web possuem cada vez mais acesso. Paulo Henrique Amorim divulgou esta semana seus 4,5 milhões de páginas vistas por mês, com aproximadamente 650.000 pessoas em acessos únicos: em média são 21.000 pessoas por dia em suas páginas, sem taxa de encalhe, pois quem entra teve realmente acesso a informação. O Vi o Mundo do Azenha tem em média as mesmas taxas, entre 15 e 20 mil por dia, segundo minha última conversa com ele em São Paulo. E o Eduardo Guimarães, do Cidadania.com, tem entre 6 e 7 mil por dia. São alguns exemplos. O Vi o Mundo e o Cidadania.com já devem ter subido o acesso, não tive como perguntar novamente sobre estes números novos. Existem muitos blogs que compartilham semelhante acesso e, se somados, desbancam a audiência do papel.
Mas e a taxa de encalhe dos jornais? Dos 200.000 mil exemplares, quantos são abertos e lidos? Quantos voltam para a empresa que os imprimiu intocados? O IVC, Instituto Verificador de Circulação, não divulga estes dados pois isso afetaria significativamente a credibilidade dos veículos e as distribuidoras, Chinaglia e DINAP, não entram neste mérito para não afetar os clientes, mas todos tem as informações.
Está na hora da imprensa de papel ter coragem e abrir todos os números da queda, na integra, com circulação e encalhe, para termos a real dimensão de como o público brasileiro consome papel-notícia. Afinal, quem prega democracia deve praticar democracia.
Tags: circulação, encalhe, jornais, números, publicidade, queda, taxa
17/07/2009 às 12:21 pm
“Está na hora da imprensa de papel ter coragem e abrir todos os números da queda.”
Meu Deus do Céu, o que há de coragem em divulgar uma informação “anti-marketing”? Isso não seria coragem, seria burrice.
Um pequeno detalhe que parece ter sido ignorado, os grandes jornais não existem por “amor à verdade” ou “exercício da cidadania”… são negócios, trabalho de profissionais que, veio a calhar, ganham a vida no ramo da informação.
Imagina agora os bloggers começarem a produzir posts para informar “de cada 10 usuários que comentam, 2 digitam ‘primeiro’”; “de cada 100 hits, 10 vieram por engano do redirecionamento do Google”…
Vamos ser razoáveis.
Abraço e apesar da crítica, parabéns pelo site.
17/07/2009 às 12:53 pm
Fernando, crítica é sempre bom, obrigado.
Assim como os jornais cobram transparência pública sobre investimentos públicos, e se eles se consideram os “vigilantes” da democracia, cabem a eles tb serem transparentes sobre como o público consome suas informações. É o jogo democrático.
17/07/2009 às 5:26 pm
sim, jornal é negócio, mas isto tem que ficar claro para o público, não me parece que ficou jamais. fica lindo achar que jornalista é uase um indiana jones em busca da verdade dos fatos, enquantos jornais são feitos para vender, e esse jogo tem que ficar claro. asim como eu acho que deveia ficar claro o posicionamento do jornal sobre as questões, pois eles jamais são isentos.
adoro o blog.parabéns.
17/07/2009 às 5:38 pm
Um estudo muito interessante a ser feito/pensado é sobre os impactos dos jornalões em oposição aos blogs de maior acesso.
Se considerarmos os 20 mil acessos do Azenha, por exemplo, frente aos 200 mil da Folha que, na verdade, podem ser só 50-100 mil, temos então um cenário curioso e até nunca pensado, o dos blogs e mídias sociais tendo quase tanto alcance, sem grandes investimentos e pessoal, que jornais centenários.
É algo a se ter em mente.
17/07/2009 às 7:07 pm
E desde quando brasileiro algum dia leu jornal ?
Desde quando internet vai substituir alguma coisa se o alcance é infimo ?
18/07/2009 às 4:55 pm
Por isso os dados apresentados neste artigo são interessantes, aparentemente o “gap” entre a média de leitores de blogs e dos jornais não é assim tão grande mas, overall, em uma população de quase 200 milhões não temos nem 10 que de fato lêem costumeiramente e, imaginem então, acessam à internet com algum objetivo a mais que acessar o orkut.
tsavkko.blogspot.com
27/07/2009 às 2:28 am
O problema maior são os mecanismos de comunicação de massa, o jornalismo televisionado atinge milhões de pessoas, esses são os que devem ser geridos com mais responsabilidade. mudanças na legislação de consessões seriam muito bem vindas.
31/08/2009 às 5:43 pm
[...] das pessoas só têm acesso às capas de jornais que ficam expostas nas bancas – uma vez que a tiragem dos jornais impressos cai a cada dia – esta manchete tem potencial [...]