Arquivo para Junho 4th, 2009

Arruda, o Odorico moderno

04/06/2009

Há muito tempo eu não via um político tão cínico a ponto de me lembrar Paulo Maluf nos áureos tempos das décadas de 80 e 90, quando, no auge da sua vida política, demonstrava força no controle da imprensa local e palavreado hábil para provocar no público a confiança que ele nunca entregaria como produto embalado. Hoje, não passa de um pândego, uma sombra, que serve de figurante para programas de humor na TV.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, é assim. Com o olhar enviesado dos cínicos, acompanhado do canto da boca puxado para o lado, Arruda está constantemente na imprensa brasiliense passando a sensação de que puxa os problemas da cidade para si, causando nos interlocutores, que nunca encara fixamente, a sensação de que está preocupado com o cidadão pobre. E bota pobre nisso. As cidades satélite e do entorno de BSB sofrem com falta de saneamento básico, transporte, hospitais e moradia e, mesmo assim, continuam acreditando em um futuro que não virá.

O vídeo acima dá uma dimensão disso. Na campanha de 2006, Arruda garante, pedindo votos para os deputados da sua base, que não acabará com os serviços de vans que amenizam o sofrimento da população carente de transporte público. Ganhou a eleição e, um ano depois, acabou com o transporte alternativo ao invés de adequar seus serviços a um padrão de atendimento decente para a população. Nas ruas de Brasília, o que se vê atualmente são alguns ônibus novos rodando e pontos de ônibus lotados no horário do rush, que me fazem lembrar a época de Jânio Quadros e a CMTC em São Paulo.

Arruda em seus discursos pomposos parece Odorico Paraguassu, personagem de Dias Gomes em “O Bem Amado”. Político astuto, se faz pregar como moderno, arrojado e administrador competente, pronto para levar sua cidade da roça ao encontro com a modernidade das grandes capitais. No último domingo, quando Brasília virou uma das capitais com jogos para a Copa de 2014, Arruda prometeu mais: que agora vai brigar para a cidade ser palco da abertura dos jogos no Brasil, mesmo com estrutura de turismo e transporte precários, sistema de saúde falho e uma malha de hotéis que não atende nem grandes eventos de governo, quanto mais uma Copa do Mundo. Segundo dados do Ministério do Turismo, em seminário realizado em abril de 2008, “a expectativa inicial de incremento de fluxo turístico no Brasil durante o período de realização da Copa do Mundo de 2014 é de aproximadamente 500 mil pessoas, um aumento de 10% no fluxo”.

Seu pé no futuro não passa de uma sola para o passado, onde somente cabe o raciocínio da demagogia e do proselitismo político, descendente direto do coronelismo que ainda assola cidades do interior do Brasil.