Arquivo para Abril, 2009

Fora Gilmar!

29/04/2009

Convocação para o ato Fora Gilmar em frente ao STF na Praça dos Três Poderes em Brasília, dia 06/05, a partir das 19h.

Um blog foi criado para a mobilização.

A queda

27/04/2009

Encontrar números sobre a queda de circulação dos jornais brasileiros é como usar o Google Earth para localizar agulhas: é praticamente impossível. Já comentei em posts anteriores aqui que a grande mídia brasileira resiste em mostrar os números para não afetar sua credibilidade publicitária.

A mídia americana está mais acostumada com sua própria realidade e repercute alguns estudos, sem ter vergonha de olhar para o próprio umbigo, aproveitando os números para informar e para prospectar seus rumos diante das novas mídias. O NYTimes divulga notas sobre circulação de impressos constantemente.

No Brasil, uma nota como essa da ADNews, que mostra a queda de circulação dos principais papeluchos, não será vista na Folha, O Globo, Estadão e congêneres. Com medo de contaminar as agências de publicidade e colocar em dúvida seu poder de informar, afastando assim investimentos publicitários, os dados são observados internamente por editores e donos de jornais. Mas eles esquecem que as agências e os profissionais de mídia são os primeiros a ter acesso aos dados do Instituto Verificador de Circulação. Estes números são a peça chave para o mídia dizer onde vai investir o dinheiro do seu cliente. Leia um trecho: “Na liderança do ranking (queda) está a Folha de S.Paulo, que viu sua média diária de circulação cair de 429.476, no início do ano 2000, para 298.652 no final desse trimestre. Em seguida, aparece O Estado de S.Paulo que registrou uma queda de 391.023 para 217.414.”

O maior medo mesmo ao esconder os números é o de contaminar os leitores e admitir sua própria ineficácia diante da agilidade dos blogs independentes e dos portais que eles mesmos administram. Quando eu trabalhei na Jovem Pan, na década de 90, a ordem era clara: a notícia só vai para o site depois de ir ao ar na rádio. Era o medo do site furar a rádio.

Essa falta de visão dos jornais com seus portais ainda persiste. As notícias, invariavelmente, estão pela metade, tentando ainda empurrar o leitor para o papel ou para a assinatura digital de conteúdo. Os dados divulgados pela ADNews mostram que, mesmo com essa estratégia, o consumidor de notícias não está preocupado em assinar o papel ou comprar o jornal na banca: ele vai mesmo é para outra fonte de informação na rede e abandona o que lhe tiraria alguns trocados.

Ao invés de usar a web para girar a informação para os veículos analógicos, o que lhes daria uma certa sobrevida diante da queda explícita, eles preferem mostrar somente a ponta dos dedos, abrindo a possibilidade do leitor desprezar seu conteúdo. Essa mudança não é simples e imporia às redações mastodônticas uma mudança editorial profunda para acompanhar a nova realidade que esbarra na resistência e no corporativismo dos jornalistas. Um exemplo: o papel do editor, paralisado sempre na redação a espera de mexer no texto ou revisar e dar “submit” nas matérias, cai por terra, obrigando-o a sair à rua para apurar e entrevistar, dando poder ao repórter de gerir sua própria informação sem o filtro editorial conservador. Isso elevaria a qualidade dos repórteres, que não seriam mais apuradores de luxo da informação bulinada por outra pessoa.

Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro

23/04/2009

Esta frase emblemática foi dita pelo ministro do STF Joaquim Barbosa ao presidente do Supremo Gilmar Mendes ao final da sessão desta quarta-feira (22/04).

Joaquim Barbosa respira o ar do brasileiro indignado com a postura entreguista de Gilmar Mendes, o homem que concedeu dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas no ano passado.

Ontem, Joaquim Barbosa lavou a nossa alma. Assista no vídeo abaixo e preste atenção na risada de deboche de Gilmar Mendes quando Barbosa diz: “Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país”. Depois disto começa o embate corajoso de Barbosa com o supremo-presidente, que mantém nos lábios um sorriso safado, como se subjulgasse com sua arrogância não um outro simples colega de trabalho, mas sim um homem negro, corajoso, o primeiro negro a ocupar uma cadeira de ministro do STF.

Imaginem vocês se não existisse a TV Justiça, transmitindo todas as sessões plenárias ao vivo. Neste momento toda a discussão teria sido abafada e seríamos vítimas, mais uma vez, das interpretações da imprensa conservadora e dos seus colunistas sobre as declarações do ministro Barbosa. Na noite de ontem, na edição do Jornal das Dez da GloboNews, mesmo com o vídeo que circulou antes na web, Merval Pereira e Sardemberg ainda fizeram a tentativa de ridicularizar Joaquim Barbosa, cumprindo mais uma vez seus papéis de cães de guarda de Gilmar Mendes, o homem que pode ter nas mãos muitas decisões da imprensa como presidente da última instância do Judiciário.

Não é tão Fantástico assim

22/04/2009

A rede se espremeu nos últimos dias em discussões sobre a adesão do programa Fantástico, da Rede Globo, ao Twitter.

A única novidade, ao meu ver, foi o vídeo em que os entrevistados da matéria revelaram os bastidores da produção com o jornalista Zeca Camargo dizendo que o seu chefe proibiu de citar o nome Twitter.

Fiquei imaginando como devem ter sido as discussões de produtores e editores do programa durante a preparação da matéria na semana passada. Em uma mídia tão forte como a da Globo, quem manda é o departamento comercial, que proíbe qualquer menção a produtos ou serviços nos programas da casa. Por isso a tática de borrar camisetas e marcas. O espaço é caro e tudo deve ser pago: nada de citações involuntárias.

Durante o ensaio com os tuiteiros, o apresentador bateu o pé afirmando que eles não poderiam citar o nome Twitter. Porém, ao final da matéria original, o próprio Zeca se rende e fala o nome do serviço. Não teria como divulgar o canal do Twitter do programa sem citar o endereço, são tarefas indissociáveis para quem deseja estar presente na rede social e estimular a audiência, fazendo o público girar da rede para a TV. Por fim estava lá, estampado na tela, o endereço twitter.com/showdavida

Não queiram que o Fantástico faça jornalismo. O programa foi feito somente para entretenimento e suas matérias são vazias em conteúdo e análise. Ao tratar o Twitter como festa de amigos ou coisas de molecada e nerds, o programa se exime de propagar a importância da ferramenta como sua própria concorrente ao esconder que, de fato, muita gente faz jornalismo online com o Twitter, muito melhor que a redação da TV Globo.

A Doce Vida

18/04/2009

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Na Fonte de Trevi, Mastroianni e Anita Ekberg

Revisitar A Doce Vida, clássico de Federico Fellini de 1960, é perceber que a prática de comunicação vivida pelo jornalista Marcello Rubini, interpretado por Marcello Mastroiani, ainda é corrente entre profissionais que usam o papel e o pretenso poder que lhes é oferecido para reestabelecer sempre um padrão de vida distante da realidade da população que consome informação.

As experiências de Marcello com a alta classe mudam o sentido da sua vida, recolocando-o no papel questionador da informação que constrói seu caráter, mudando sua percepção diante da pobreza e da religiosidade iminentes na Roma da década de 60. O Cristo que voa nos helicópteros no início do filme tem a missão clara de descer somente no Vaticano, passando distante das camadas populares, que somente sustentam o poder e o luxo da igreja com sua fé, o produto para o escambo.

Paparazzo vira substantivo próprio de um amigo de Marcello, que vive às voltas em sua rotina de prazer ao lado de artistas e outras celebridades, sempre com fotógrafos invadindo vidas pessoais a procura de algum trocado a mais para suas vidas. Marcello espanta-os como moscas, numa tentativa inútil de limpar sua própria vida.

Filmado na Cinecittá, a casa das produções de Fellini, A Doce Vida é moderno, para uma era, 49 anos depois, que teve alterada somente os padrões tecnológicos para produção da informação. A cópia restaurada lançada pela Versátil Home Vídeo apresenta o longa em formato widescreen anamórfico com som remasterizado em Dolby 5.1, mais um DVD com extras inéditos e depoimentos de Woody Allen, Martin Scorsese, Nino Rota, Ettore Scola, Claudia Cardinale e o próprio Mastroiani.

Abaixo, a cena clássica do clown, que sempre levará consigo o público, qualquer que seja.

Lula no South Park

16/04/2009

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Clique na imagem acima e assista o episódio completo.

A animação South Park, criada por Matt Stone e Tray Parker, é um dos mais populares e polêmicos desenhos animados já criados nos EUA, que conseguiu ao longo das suas 12 temporadas no ar conquistar milhares de fãs pelo planeta.

No episódio exibido ontem no canal Comedy Central,  a Terra recebe a visita de alienígenas e Lula está entre os líderes que cumprimentam o pai de Stan pelo contato imediato. Depois, os líderes se juntam para combater uma invasão.

Shopgirl

13/04/2009

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Isolada em um mundo fútil de produtos finos, como vendedora de luvas em uma grande loja de alto consumo, Mirabelle está diante da mediocridade das compras vazias sem contestar o fastio das classes abastadas e nem as suas próprias escolhas emocionais como artista. É inevitável o tédio sobre si e a solidão noturna em seu apartamento na periferia de Los Angeles.

Um ligeiro caso com o jovem Jeremy, e logo em seguida o envolvimento com o cinquentão Ray Porter, a colocam diante da possibilidade de ser amada por alguém prestes a construir uma vida ou se entregar a pretensa paixão de um executivo de negócios em boas condições financeiras e estabilidade.

Baseado no livro homônimo do ator Steve Martin, que interpreta Ray Porter, Shopgirl surpreende pela delicadeza do texto e da interpretação de Claire Danes. Nada de estripulias para Martin, que é um grande ator dramático quando se propõe a papéis sérios como em L.A. Story e Parenthood.

Abaixo, Martin e Danes em trecho do filme dirigido por Anand Tucker.

O que é que eu vou dizer lá em casa? @silvioluiz está no Twitter!

09/04/2009

Uma das pessoas que mais admiro na comunicação brasileira, o mestre Silvio Luiz, está no Twitter! Viva!

E você pode acompanhar suas tuitadas durante os jogos seguindo @silvioluiz, com a mesma irreverência das narrações na TV e um pouco mais ousada, digamos assim.

Me lembro muito bem da Copa de 86 e do pool de transmissão do SBT e da Record, comandado por Silvio como locutor principal. A tristeza da eliminação para a França nas quartas-de-final só foi superada pelas brincadeiras do Silvio, que aliviou minha decepção.

Em 2000, quando eu era produtor do extinto portal MediaCast, fizemos uma maluquice de cobertura da final da Libertadores. Montamos um bar no estúdio e, ao invés de transmitirmos o jogo (não tinhamos direito nenhum), transmitimos os comentários de uma mesa de bar com Silvio Luiz e Milton Leite, entre outros, participando. Com uma ligação, Silvio topou na hora, mesmo recém operado de um problema nas cordas vocais.

Foi um dos meus melhores momentos profissionais. Até Juca Kfouri entrou por telefone para comentar.

Ao ver Silvio no Twitter, acredito ainda mais que existe uma parcela da antiga geração de jornalistas que está de olho aberto para as novas tendências de cobertura na rede, com novas ferramentas.

Tenho na minha mente, e uso diariamente, os bordões de Silvio Luiz nas conversas da vida. No papo antes dessa transmissão, ele contava para mim e Marcos Lazarini que o pessoal da publicidade usava os bordões dele, devidamente registrados, em comerciais, sem nem pedir autorização. Se não me engano, ele me disse que uma vez, num acordo judicial, pegou 3 carros de uma montadora como pagamento por terem usado um bordão dele em um comercial sem permissão. “Tudo que eu crio eu registro”, disse Silvio.

Sinto falta de Silvio na TV aberta e condeno a Band por tê-lo tirado do ar, confinando-o no BandSports que não atinge a dimensão do público que o admira.

Acompanhe também o Blog do Silvio no seu site oficial.

Sábado resistente: O papel da mídia na democracia e durante a ditadura militar

08/04/2009

Sábado Resistente

Data: 18 de abril de 2009

Horário: das 14h às 17h30

Local: Memorial da Resistência – Largo General Osório, 66 – Luz, São Paulo – SP

DEBATE E LANÇAMENTO DE LIVROS SOBRE O TEMA

O PAPEL DA MÍDIA NA DEMOCRACIA

E DURANTE A DITADURA MILITAR

O recente debate levantado pelo jornal Folha de São Paulo, que tentava relativizar a importância da Ditadura Militar ao dizer que no Brasil houve uma Ditabranda, reacendeu a antiga questão sobre o papel da mídia na derrubada do Governo Constitucional de João Goulart e a sua colaboração na destruição do processo democrático de então. O apoio ao Golpe de 1964 acabou por defender o regime de Terrorismo de Estado e alguns órgãos de comunicação passaram a ser coniventes com as torturas e os assassinatos.

Com que direito a mídia pode ajudar na derrubada de governos? Quais seus interesses? Quais os meios para conter esse poder devastador da mídia? Qual deve ser a relação da Sociedade Civil com a mídia?

O Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate sério sobre este importante assunto.

Coordenação:

Alípio Freire

Jornalista, ex-preso político e membro do Núcleo de Preservação da Memória Política

Debatedores:

Rodrigo Vianna

Jornalista e editor do site O Escrivinhador

Trabalhou na Rede Globo e rompeu publicamente com a empresa por discordar da cobertura tendenciosa das últimas eleições presidenciais. Hoje trabalha na Rede Record.

Beatriz Kushnir

Historiadora e autora do livro Os Cães de Guarda, que tem como foco central o papel do Grupo Folha durante a ditadura e sua colaboração com a repressão política, principalmente com o DOI/CODI-SP.

Na ocasião, haverá o re-lançamento dos livros: No corpo e na alma (autobiográfico) de autoria de Derlei De Lucca, ex presa política catarinense, e Os Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.

O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, amigos, estudiosos, estudantes e visitantes do Memorial da Resistência para o debate de temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964.

Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação.

Na Jukebox Mental, All i need com Radiohead

07/04/2009

Enquanto buscamos músicas para o conforto sentimental e aliviar perdas do passado, o Radiohead cedeu sua canção All i Need, do álbum In Rainbows, para uma campanha contra a exploração infantil da MTV e USAID.

Em dois quadros opostos, um dia inteiro na vida de dois garotos desde o café da manhã.

É como acordar do torpor do egoísmo que nos cerca cotidianamente.