Arquivo para Março, 2009

Record requenta a ditabranda contra a Folha

31/03/2009

A TV Record começou a esquentar a grande matéria que está preparando contra a Folha de São Paulo sobre o caso da ditabranda.

Os dois canais, Record e RecordNews, aproveitando o aniversário do golpe militar, estão fazendo uma série de reportagens sobre os arquivos da ditadura.

Em sua edição desta terça, 31/03, o Jornal da Record colocou uma grande chamada sobre a relação da Folha com a ditadura no Brasil.

Na semana passada, o amigo Eduardo Guimarães, do Cidadania.com, recebeu a equipe da Record em sua casa para falar sobre o ato que ele chamou no último dia 07/03, que contou com pelo menos 400 pessoas na porta do jornal na Barão de Limeira em São Paulo.

Preparem-se para uma das maiores batalhas da imprensa brasileira. Edir Macedo abriu fogo contra a Folha depois de diversas matérias do jornal sobre a audiência da emissora e sobre sua saúde, que ele desqualificou e desmentiu, desmoralizando o jornal.

Talvez esta seja uma das grandes batalhas entre veículos de imprensa desde as brigas entre Roberto Marinho, do jornal O Globo, e Samuel Wainer, do extindo Última Hora, nas décadas de 50 e 60. Para se ter uma idéia, até os quadrinhos foram usados na guerra, segundo o livro a Guerra dos Gibis do escritor Gonçalo Junior. O Globo atacava Getúlio. O Última hora defendia o governo, pelas suas posições liberais e à esquerda na imprensa. Quando Roberto Marinho derrubou num golpe editorial a Editora Ebal, publicando quadrinhos no O Globo, Samuel Wainer, num rompante conservador, usou o argumento do estímulo à violênia pelos quadrinhos para atacar Roberto Marinho.

No caso Record/Folha, talvez a Record ajude a jogar a pá de cal no jornalismo de papel. O impresso é o que mais perde leitores para a internet, dvd e video-games. A TV, pela possibilidade de avanço digital, ainda pode reverter o quadro de perda. O impresso, neste caso a Folha de papelo, não consegue.

A experiência IMAX

30/03/2009

Na última terça-feira aqui em Sampa, eu e @gutocarvalho fomos visitar o Espaço Unibanco IMAX do Shop Bourbon, ao lado do Palestra Itália, no bairro da Pompéia. Como em todos os shoppings, o Bourbon não tem nada que me atraia além dos cinemas.

Assistir O Cavaleiro das Trevas em IMAX foi como ter visto outro filme, muito diferente da exibição em salas convencionais. Com uma tela bem maior, com projeção e som digitalizados, os sentidos se apuram. Foi preciso uns 5 minutos para que meu olhar se adequasse à imagem. Senti no começo um incômodo no estômago.

As cenas em que o Batman está no topo dos prédios me causaram vertigem, com o fatal arrepio na sola dos pés. Nas perseguições de carros, ao olhar com profundidade, é possível acompanhar como se estivesse dentro dos veículos.

O som é detalhista, calibrado em 6.1 por todos os lados da sala. As explosões e tiroteios tremem a sala e o barulho de vidro quebrando parece que acontece ao seu lado na cadeira. Somente o som binaural e holophônico conseguem transmitir essa sensação.

A projeção IMEX só reproduz filmes captados nesta tecnologia, totalmente digitalizados. Batman se encaixou perfeitamente nisto pq o diretor Christopher Nolan se preocupou em captar a alta-fidelidade de imagem e som.

Quando digo que é outro filme, afirmo com veemência, pois a interpretação de Heath Ledger fica mais forte e impoluta naquela tela. Seus tiques e sons bocais se amplificam, aterrorizando ainda mais quem assiste.

Vale uma visita para conferir novamente Dark Night, antes que saia de cartaz

O convescote

27/03/2009

Fui comprar um simples CD e quando olhei ao meu redor, estava diante do público da Daslu, tão em voga na última quinta-feira.

Chiques e famosos, glamourosos, a nata da elite paulistana estava presente no lançamento do livro do tucano José Gregori.

Confesso a vocês que tive um engulho com aquilo. Para aliviar essa sensação, resolvi brincar no Twitter, fazendo uma cobertura bem humorada.

Lula ontem falou que a crise foi criada por brancos de olhos azuis. Pois bem, estavam todos lá, os que detestam programas sociais do governo, criados para dar o mínimo de dignidade para as pessoas. Os mesmos que não admitem que a crise só não nos pegou com força pq nos últimos anos uma grande parcela dos pobres começou a consumir e a girar a economia.

A elite paulistana sempre foi isso e não vai mudar. Gostam de caridade ao invés de ações sociais e rezam todos os dias para que um ser divino acabe com a pobreza enquanto eles acumulam dinheiro e jóias sob seus colchões.

O poder político está, claro, atrelado a isso. No convescote de ontem na Livraria Cultura estavam presentes Aloysio Nunes,  Zulaiê “sem mandato” Cobra, o deputado Paulo Renato e outros que sempre defendem a “inclusão pra cima”. E claro, José Serra, o supremo mandatário da imprensa paulistana.

#vergonhaalheia

São Paulo atolada em propaganda do PSDB e do governo do Estado

25/03/2009

É impressionante o bombardeio de marketing que o paulistano recebe diariamente do PSDB e do governo de José Serra.

Tudo isso para manter, o que eu chamo, de bolha de imprensa. É uma maneira de repetir o famoso curral eleitoral, para não perder poderes com a evasão de eleitores no maior colégio eleitoral do Brasil.

No Metro de São Paulo, são cartazes e minioutdoors do governo por todos os lados, a maioria exaltando as obras feitas no subsolo para ampliar as linhas dos trens.

Pra recordar: no início de 2007 a cratera do Metro, que se abriu perto da Torre de Isengard (prédio da Abril) matou 6 pessoas. E o mesmo Metro foi envolvido na fraude da Alston, devidamente escondida pela imprensa paulistana para proteger Kassab e José Serra.

No Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, uma exposição mostra a história da TV Cultura, controlada pelo Estado, e na TV, programas do PSDB do horário eleitoral bombardeiam a cidade para mostrar os avanços sociais do Estado com o próprio Serra como garoto propaganda.

Na mesma TV Cultura, no programa Metrópolis desta quarta a noite, foi destaque uma chamada para falar de incentivos culturais concedidos pelo Estado para produtores culturais.

No rádio, durante o dia de hoje, para completar a ação casada, programas do PFL (atual DEM) atacaram fortemente o PT e o governo federal.

Quem está na cidade não percebe, isto é, a população comum que não está acostumada a perceber estas nuances de comunicação.

Mas para o olhar mais atento do visitante, fica a sensação de que o Estado de São Paulo, sob a gestão Serra, vive sua plenitude de paz e harmonia, sem nenhum problema.

A ação de comunicação do governo do Estado tem a seguinte missão: impedir que as realizações do governo federal e a alta popularidade de Lula contaminem a cabeça do eleitor paulistano e paulista. É o chamado desvio de foco, para que o público daqui continue não percebendo a extrema mudança social que ocorreu no país nos últimos seis anos com os investimentos sociais do governo federal.

Radiohead e a nossa cabeça em stopmotion

24/03/2009

radioheadshow1

Via @fabrifranco, republico ação em stopmotion realizada por Michell Zappa.

Michell fez animação de várias fotos com a música 15 Step do álbum In Rainbows.

Foi esse o clima do show, todo sincopado eletronicamente, com fibra óptica reproduzindo efeitos.

Radiohead por dentro

24/03/2009

Vídeo do show do último domingo realizado por @gutocarvalho via Qik. Podia-se ver muita gente com o N95 gerando vídeos semelhantes.

Olhar para a frente: editores do Chicago Tribune assumem perfil no Twitter

21/03/2009

chicagotribune

O perfil @themediaisdying publicou há poucos instantes a imagem reproduzida acima. Desde quinta-feira passada os editores do Chicago Tribune, fundado em 1847, assumiram seus perfis no Twitter para assinar sua responsabilidade no jornal.

É um passo emblemático no reconhecimento das ferramentas sociais, em amplo uso na rede, como formas de contato direto com os leitores e mais: é o reconhecimento de uma nova forma de informar em broadcasting, permitindo o contato imediato do público com quem pensa um veículo de comunicação. Esse contato permite reação imediata do público, que pode sugerir, reclamar e participar da cobertura jornalística. O Twitter provou isso na cobertura eleitoral das eleições americanas, quando, cinco minutos antes da CNN sacramentar a vitória de Obama, um cidadão americano já tinha feito as contas antes e anunciado a vitória.

No Brasil, temos ainda uma imprensa caótica, que baseia seu contato com o público através de cartas e e-mail selecionados, para poder impedir opiniões de extrema divergência ou que derrubem as informações difundidas pelos seus repórteres. É a tal da credibilidade publicitária, que não pode ser perdida para não diminuir o faturamento.

Vamos pensar um pouco. No caso da #ditabranda, se o Otavinho estivesse no Twitter, se o seu user fosse público, ele sentiria a reação imediata contra ou a favor e poderia medir a dimensão do estrago que estava causando em sua empresa jornalística. Mais do que isso, ele estaria em contato direto com os anseios do leitor.

Diariamente eu lido no meu trabalho com jurássicos do jornalismo, pessoas que não acreditam em novas formas e mídias de comunicação e insistentemente pensam no papel como base de um jornalismo da década de 50, focado no raciocínio do tal formador de opinião, ou seja: eu digo, vocês engolem.

Na trilha do Radiohead…

21/03/2009

… me deparei com o Boeing 757 da banda Iron Maiden, que aterrissou em Brasília na tarde da última quinta. A capital está em polvorosa com a presença da banda inglesa. Na turne de 2008, Brasília passou batida na trilha do metal, que esteve por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Abaixo, com uma qualidade ruim pela distância do angar, o Ed Force One, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, funcionário da companhia aérea Astraeus, proprietária do aparelho. De Brasília a banda segue para o Chile.

ironaviao

O debate político, na ótica dos Melhores do Mundo. Seria a realidade da imprensa brasileira?

19/03/2009

Um dos shows arrasa quarteirão da Cia Os Melhores do Mundo foi o Notícias Populares, que passeou pelo Brasil em 2008.

Em Brasília, cidade natal do grupo, todos os espetáculos são lotados. O grupo explodiu na internet com o quadro do Joseph Climber apresentando no Programa do Jô em 2006. O quadro fez tanto sucesso que um grupo de comediantes portugueses fez literalmente uma cópia para apresentar num programa de televisão em Portugal.

Abaixo, o debate político. O jornalista apresentador está literalmente mancomunado com um dos candidatos para acabar com o adversário.

Qualquer semelhança com a forma de agir da imprensa paulistana não é mera coincidência.

Em São Paulo, a enchente não tem dono

18/03/2009

Me lembro muito bem da cobertura da imprensa quando chove em São Paulo e a cidade alaga.

As enchentes nunca tem dono, é sempre a chuva, que teima em cair, e o solo que não absorve mais a água.

De resto, poucas autoridades da prefeitura e do governo do Estado de São Paulo são abordadas sobre o tema, geralmente técnicos, funcionários públicos, que não tem como responder profundamente o descaso dos seus chefes.

São os bagrinhos, os peões, que caem primeiro na armadilha das coberturas jornalísticas.

Em São Paulo a imprensa poupa o prefeito Kassab e o governador José Serra das suas responsabilidades como administradores públicos. Não os interpelam, perguntando onde estão os investimentos para diminuir a tragédia urbana das enchentes.

Mas vejam só, quando Luiza Erundina foi prefeita, de 89 até 92, as rádios e as TVs, com seus “comentaristas” de plantão, sempre jogavam nas costas dela, sistematicamente, a culpa pelas enchentes, obviamente para propagar o desgaste de imagem da prefeita e o seu partido perante o público. A mesma tática foi usada com Marta Suplicy.

É evidente que as assessorias de comunicação da prefeitura e do estado evitam esses problemas para suas autoridades máximas, sempre enviando para falar secretários, administradores regionais ou simples funcionários. É uma sinfonia perfeita entre assessores de imprensa e mídia. Cada um faz o seu papel. Um evita e o outro concede.