Arquivo para Janeiro, 2009

Sarkozy estatiza a mídia francesa

24/01/2009

Onde se le esta manchete do Globo Online “Sarkozy se compromete a ajudar a imprensa francesa” leia-se a minha manchete acima. É basicamente isso.

Diante de um modelo em franca decadência, que é o jornal impresso, os três principais jornais franceses, Le Monde, Le Figaro e Libération irão receber do governo frânces uma série de incentivos financeiros para o estímulo do consumo de mídia impressa. Só em publicidade o governo pretende gastar 600 milhões de euros.

A desculpa dos veículos é a tal da crise. Uma falácia para conseguir dinheiro. Desde 2000, com o avanço da internet, os veículos gradativamente perdem leitores, é uma crise do meio em si. E isso acontece no Brasil também, mas aqui os números de circulação são uma caixa-preta, só desmontada por publicitários e donos de jornais.

A situação de fundo nesta nota do Globo é que, em breve anotem ai, a empoeirada Associação Nacional de Jornais, instituição instrumentalizada pelos donos da mídia,  sindicatos da categoria e congêneres irão pleitear a mesma coisa por aqui.

Vamos lembrar o início da crise de 2005 que engalfinhou o governo federal. Logo que o governo Lula assumiu, a Secretaria de Comunicação do Governo revisou todo o gasto com publicidade, renegociando com os grandes para diminuir a verba empenhada e democratizar os anúncios para outros veículos pelo país afora, retirando boa parte da grana do eixo Rio-SP. Isso irritou profundamente os donos da mídia.

Se o governo federal um dia resolver retirar toda a verba de publicidade empenhada para a mídia, não resta um de pé. O dinheiro público sustenta rádios, TVs e jornais pelo país, todos o que pertencem ao PIG, que fabricou parte do golpe de 2006  para que Lula perdesse a eleição.

O orçamento do governo federal para 2009 preve a verba de R$ 574,4 milhões com publicidade e propaganda. Isso não significa que todo o dinheiro será usado.  Em 2008, o valor da dotação foi de R$ 406 milhões, porém foram usados R$ 240, 6 milhões deste montante.

Onde está a responsabilidade da mídia com o uso do dinheiro público? Ao receber esta verba, os veículos deveriam se comprometer com políticas públicas de incentivo a leitura. Se são capazes de produzir edições porcas de um jornalismo vergonhoso, deveriam usar este dinheiro para imprimir livros escolares, cartilhas e investir também na educação primária. O que a mídia recebe é dinheiro público. Seria bom se alguém pensasse em criar leis que obrigassem os veículos a darem algum tipo de retorno a sociedade.

O dia em que a Terra parou

22/01/2009

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Tenho mastigado há uma semana o remake do clássico “O dia em que a Terra parou” protagonizado por Keanu Reeves e dirigido por Scott Derrickson.

O longa original, dirigido pelo mestre Robert Wise em 1951, foi o responsável pela minha paixão pelo gênero ficção científica. Aos nove anos assisti pela TV e me lembro que fiquei paralisado de medo pela presença do rôbo Gort, que passa boa parte do filme praticamente como uma esfinge no parque central de Washington.

Gort era o ponto de tensão do filme, pois Wise levou o suspense ao extremo ao longo da trama para desenrolar quais eram as reais intenções da vinda de Klaatu. Em plena Guerra Fria, com americanos e soviéticos brigando pela supremacia bélica, os habitantes da cidade imaginaram uma invasão russa com uma nave e armas completamente desconhecidos.

O ponto fraco do novo filme foi ter perdido essa tensão gerada pelo rôbo, retirando o impacto imaginário da sua presença. Mesmo mantendo as linhas originais criadas por Wise, o novo Gort se transforma antecipadamente em um brinquedo quando o foco da trama passa para a relação entre Reeves e Jennifer Connelly.

Robert Wise tinha o olhar perfeito para a ficção. No pouso da nave percebe-se a preocupação dele, como diretor, em demonstrar com seu ângulo de câmera nas alturas, como seria o impacto daquela presença em um cenário comum e no cotidiano das pessoas.

É preciso lembrar que Wise levou para as telas do cinema o primeiro longa de Star Trek em 1979 para a Paramount, com extrema delicadeza e beleza na produção. A primeira aparição da Enterprise no estaleiro é um exemplo dessa preocupação do diretor em acostumar o espectador a imagens exuberantes. Mais do que filmar uma maquete, Wise transformava em realidade a ficção, criando um imaginário de magnitude em sua audiência.

Abaixo, veja sete minutos do filme original. E que isto não o impeça de ir ao cinema ver o remake.

Blogs interrompem o ciclo da mídia conservadora

20/01/2009

Matéria do jornal Repórter Brasil da TV Brasil mostra como os blogs tem influenciado o público, preenchendo a lacuna da imprensa conservadora na cobertura em Gaza.

Ao final, o Repórter Brasil faz um histórico sobre o surgimento dos blogs. Acompanhe no vídeo abaixo.

A Rainha

17/01/2009

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Uma das cenas mais envolventes do filme A Rainha, com a premiada Hellen Mirren no papel de Elizabeth II, é o momento em que,  enclausurada em seu palácio depois da morte da Princesa Diana, o primeiro-ministro Tony Blair (Michael Sheen), faz uma ligação telefônica para argumentar com a rainha que ela deve aparecer para os seus súditos, que estão estarrecidos e abandonados pela realeza revolvendo a morte da sua princesa mais popular.

O diretor Stephen Frears conseguiu captar o momento crucial em que a rainha se rende ao clamor do público e se choca com a realidade de que o seu o reinado todo pode desmoronar se a humildade não tomar conta de suas ações. Em seu jardim. um funcionário do Palácio avisa que ao fone  está Tony Blair. Ela diz que irá atender… na cozinha. Ao entrar, um batalhão de funcionários se surpreendem e interrompem seus trabalhos, com reverências sutis a presença real. É neste momento que ela decide se voltar para o clamor popular.

Uma cena simples e contundente, em um filme meticuloso e delicado, com interpretações fortes. Prestem atenção em Sylvia Syms como a rainha-mãe, o símbolo perfeito da fronteira entre o arcaico e o desprezo pelos clamores populares. A fotografia do filme é de Affonso Beato.

Na Jukebox Mental, a invasão do afroeletro de Daúde

14/01/2009

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Criei a seção Jukebox Mental aqui no blog para indicar as músicas que ficam o tempo todo rodando na minha mente, que aparecem de surpresa ao levantar pela manhã ou diante de algum fato. Isso sempre acontece.

Nos últimos dias, a cantora Daúde surgiu repentinamente na minha jukebox com a música Uma Neguinha do álbum Neguinha Te Amo, lançado em 2003 e que lhe rendeu uma resenha na BBC, veja aqui.

Daúde tem a voz forte, pulsante e é antenada em todos os ritmos afros e brasileiros, criando o seu próprio eletroafro em alguns momentos.

Voltando um pouco mais no tempo, no início de carreira lá pelos anos 80, Daúde cantava nos musicais do extinto Viva o Gordo, as vezes aparecendo com um visual tipo Grace Jones. Naquelas paródias ou sátiras, ela já mostrava seu potencial vocal e de dançarina. Mas, ao longo dos anos, seu trabalho mudou e melhorou, inserindo-a em um grupo muito específico da música: o das Divas cultuadas, que tem um trabalho rico e discreto.

Mas Daúde é pra muitos, pela sua beleza, qualidade musical e trabalho apurado. Veja abaixo vídeo amador gravado no Sesc Santana em São Paulo no ano passado. Daúde canta Chove Chuva do mestre Jorge Ben, regravada por ela em seu primeiro álbum de 1995.

Depois deste, mais três albums foram lançados: Daúde 2 em 1997, Simbora em 1999 e Neguina te Amo em 2003.

Gestores de TI em Brasília deveriam se envergonhar. Na longínqua Iguape encontrei capacitação em Linux

09/01/2009

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A foto acima pode parecer sem nexo. É uma placa de um comércio de informática e nada mais, diriam os menos atentos. Mas para quem usa e estimula a adoção de software livre como uma nova abordagem do uso da tecnologia colaborativa, o significado é outro.

Ali está o pinguim Tux, símbolo do sistema operacional Linux, em um estabelecimento que oferece cursos e capacitação para infra e redes, além de comercializar peças e oferecer assistência técnica em Iguape.

Em pleno Litoral Sul de São Paulo, um aposentado técnico do Sebrae, o Sérgio, se arrisca a oferecer tais cursos em uma cidade em que poucos sabem o que significa o pinguim.

Em Brasília, técnicos viciados e “embolados” com o software proprietário, muitos incompetentes para gerir um notebook, muitos destes gestores de TI da Esplanada, se recusam a aprender e a mudar, para melhorar a segurança da estrutura pública e permitir a economia de recursos dos impostos que todos pagamos.

A irresponsabilidade em TI permeia Brasília e, mais do que a irresponsabilidade, é a falta de coragem e zelo pelos bens públicos, e pelos funcionários públicos conscientes do seu papel, que estes “gestores” serão penalizados pelo tempo, por não conseguirem mais emprego em um futuro próximo, e pelo Tribunal de Contas da União. Eu espero e torço.

Enquanto isso, fiquei em êxtase quando encontrei esta placa. Entrei na loja procurando um HD IDE usado para reabilitar uma máquina velha. Com minha camiseta vermelha do Radiohead dei a senha imediata para o protocolo de comunicação com o dono da Neo Informática.

Para quem está ne região e precisar de serviços: Rua Tiradentes, 131, Centro de Iguape. Fone 013 3841-4951

Iguape: uma das cidades mais antigas do Brasil

08/01/2009

07012009016Basílica Bom Jesus de Iguape, centro da cidade

Vejam vocês diletos blogleitores. O escritor franco-argelino Albert Camus visitou a cidade de Iguape em meados da década de 1940. E você, não veio ainda? Eu confesso que desde criança visito a cidade, guiado por meu pai que tem predileção por Iguape e Ilha Comprida.

Camus, autor de O Estrangeiro, esteve por aqui para conhecer a festa de Bom Jesus de Iguape, uma das celebrações religiosas mais antigas do Brasil. Inspirado no que viu, o escritor criou o conto A Pedra que Cresce para seu livro O Exílio e o Reino.

Diz a tradição religiosa que a imagem de Bom Jesus da Cana Verde foi encontrada por dois índios na praia de Uná, perto de Peruíbe, cidade que deveria ser o seu destino final se a cada passo que os índios davam para Peruíbe a imagem náo pesasse mais. Os índios então notaram que a estátua ficava mais leve a medida que caminhavam em direção a Iguape. Na cidade, a imagem foi levada para a principal fonte para ser lavada. Os visitantes, que vinham para Festa de Agosto em homenagem a Nossa Senhora das Neves, começaram a visitar a tal fonte e retirar lascas da pedra em que a imagem foi lavada. Porém, a pedra nunca diminuia de tamanho. Dai a lenda da pedra que cresce.

A cidade de Iguape possui atualmente 30.397 habitantes segundo o IBGE e está localizada no Litoral Sul do Estado de São Paulo. Para chegar a Ilha Comprida é preciso entrar antes pela cidade histórica.

Histórias como a descrita acima povoam o imaginário coletivo da região, assim como a forte presença histórica de uma cidade que foi disputada por portugueses e espanhóis logo depois do descobrimento do Brasil. A data de fundação da cidade tem o registro de 3 de dezembro de 1538. Porém, uma disputa territorial entre a coroa portuguesa, um degredado português e um espanhol levou boa parte da antiga cidade à destruição, inclusive seus documentos oficiais, impedindo o registro correto. Historiadores acreditam que europeus viviam aqui antes da chegada de Cabral.

Duas figuras históricas marcaram a criação da cidade: o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como Bacharel de Cananéia, que aportou na região em 1502 vindo em uma expedição de Américo Vespúcio, e o aventureiro espanhol Ruy Garcia Mosquera que acredita-se ter chegado a região em 1498 vindo do Rio da Prata em busca da conquista destas terras devido ao Tratado de Tordesilhas.

É neste ponto que a história tem potencial para virar um filme, acompanhem.

Ao chegar ao Brasil, Martim Afonso de Souza ordenou a desocupação de toda a área, tomada por Cosme Fernandes, que não obedecia ordens de Portugal, e por Moschera, defensor de interesses espanhóis. Para cumprir a ordem, Martim enviou uma expedição comandada por Pero de Góis com a missão de retirar a força os dois homens e seus grupos.

Moschera e o Bacharel, informados da expedição, organizaram a resistência tomando uma embarcação francesa que abastecia em Cananéia e, na barra de Icapara, onde ficava originalmente a vila de Iguape, expulsaram Pero de Góis e seus soldados, em um momento que ficou conhecido como a Guerra de Iguape, um contra-ataque fatal que destruiu a vila de São Vicente matando a maior parte da população, libertando presos e destruindo os registros oficiais da região.

Uma história rica, de uma região que teve exploração de ouro e cultivo de arroz como força de uma economia em expansão, mas que perdeu suas riquezas para Minas Gerais e para um erro de planejamento que resultou num desastre ambiental de grandes proporções no século XIX. Isto, eu deixo para vocês lerem na Wikipedia. Abaixo, o coreto defronte a Basílica de Bom Jesus de Iguape.

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Sem eira nem beira: quanto mais eiras no telhado, mais alta era a classe social do cidadão nos tempos de antanho. Veja abaixo.

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Passa ano e as mesmas práticas do jornalismo cego da Globo nos perseguem

06/01/2009

Mesmo nesta pausa, na praia, mais precisamente em Ilha Comprida no litoral sul de São Paulo, é difícil não ficar indignado com as matérias das TVs abertas.

Como em muitos lugares, o noticiário básico noturno aqui se resume ao Jornal Nacional por imposição cultural histórica, para uma população que não tem nenhum acesso aos jornais a cabo ou a Internet.

Quem viu ontem o Jornal Nacional, forçado como é o meu caso, pode perceber que para Ali Kamel e companhia, os ataques sangrentos na Faixa de Gaza promovidos por Israel, se resumem a desqualificação dos palestinos como amadores e sem nenhuma causa.

A reportagem de Pedro Bassan se limitou a dizer que os foguetes caseiros dos militantes do Hamas tem pouca precisão e só servem para aterrorizar os judeus, enquanto o exército israelense, este sim, tem as melhores armas e tecnologia. Ou seja, a reportagem da Globo limitou-se a sacramentar a vitória judaica como algo inevitável, direcionando a opinião pública a não querer entender o processo histórico dos embates.

Para a Globo, a culpa das mortes dos inocentes é dos próprios palestinos e não dos ataques sangrentos do exército israelense, que não poupam civis. Ou seja, estão colhendo o que plantaram, como dizem no ditado popular.

Vira ano, entra ano, e temos que lidar com esse tipo de jornalismo baixo e sem profundidade realizado para o “Homer Simpson”, como disse William Bonner em sua já histórica reunião de pauta para professores da USP.

Na semana passada, no início dos ataques, assisti reportagem da SIC portuguesa. Mesmo pendendo para o lado de Israel, a emissora de TV de Portugal, em seu Jornal da Noite, explicou ponto a ponto as origens de conflito em uma longa reportagem com um correspondente ao vivo em Gaza e uma entrevista com o ministro da defesa de Israel, que deixou claro para todos que a intenção era acabar com o Hamas de todas as maneiras, mesmo que as baixas civis ocorressem, como tem acontecido sistematicamente. Era o prelúdio dos ataques terrestres.

Se os canais fechados estivessem disponíveis para todos, o noticiário da Globo não resistiria por alguns minutos na sintonia da população.

Magazine Death Pool

01/01/2009

Primeiro post do ano. Nada melhor do que indicar neste momento um blog americano que se dedica a relatar as revistas impressas dos EUA que estão sendo consumidas pela nova Era Glacial.

Visitem o Magazine Death Pool. Com RIP eles indicam as que já morreram e o seu destino, que invariavelmente é ficar somente com a publicação web.