Arquivo para Dezembro, 2008

O declínio do império de papel

29/12/2008

Já tratei em post anterior sobre a queda dos impressos pelo mundo. É uma tendência natural a medida que a miniaturização de equipamentos digitais acontece e o computador vai ficando cada vez mais acessível em suas faixas de preço.

Em 23/12 a Pew Research divulgou pesquisa que aponta: a Internet já ultrapassou os jornais impressos como meio de comunicação.

70% dos americanos mantém a TV como principal fonte de informação. Em segundo lugar agora está a Internet com 40% e em terceiro os jornais impressos com 35%.

Os jovens foram responsáveis por esse crescimento que, ao meu ver, é irreversível.

Você pode afirmar: mas se a rede está nas mãos de grupos tradicionais, a visão editorial continuará a mesma, só alterando o meio de difusão.

Não é bem assim. Um cidadão comum não tem rotativas em casa para imprimir jornais e concorrer com os demais. Mas ele tem Internet e os serviços de publicação. Com boas informações e apuração, atreladas a sua visão (opinião) sobre o mundo, mais um veículo surge. É o produtor de informação, que não depende de diplomas, corporativismo jornalístico ou permissões para circulação.

Do ponto de vista do consumidor de informação, um portal imenso de notícias não resiste ao conteúdo enfadonho. A Internet surgiu do conceito do hyperlink, que leva o sujeito a saltar de página em página. Com um clik, um blog vira concorrente de um grande portal.

O Conversa Afiada, por exemplo, possui mais acessos (1 milhão de page views por mês) do que muitos portais de notícias da imprensa conservadora. Gostaria de saber o acesso do Azenha, deve ser imenso também.

Isso tudo deve estimular a entrada de mais sujeitos da informação na rede, acreditando no seu potencial pessoal de gerar informações e mudar a opinião das pessoas, sem os vícios do tradicional jornalismo que acredita ser o centro de tudo.

Na Jukebox Mental, Premeditando o Breque

26/12/2008

A banda paulistana Premeditando o Breque, cujo integrante mais conhecido é o músico e ator Wandi Doratiotto, lota qualquer local em que se apresenta. Vinda dos anos 80, quando estourou com dois hits, São Paulo São Paulo e Lua de Mel, o Premê continua na ativa com shows de extrema beleza musical e humor refinado. Nas clássicas apresentaçóes do Sesc Pompéia era impossível não chorar de rir com Wandi vestido de rastafari para cantar o Melô do Jacaré ou ouvir a clássica A Esperança é a Ùltima que Morre, música que conta a saga de um homem humilde para conquistar seu amor. No Blip.FM você pode encontrar esta faixa. Aqui, por enquanto, fiquem com a apresentação do Premê na Virada Cultural de São Paulo em 2007 com São Paulo, São Paulo. É um vídeo amador, realizado por um cidadão no meio do público. Ao final, você poderá ver a rua lotada para o show. Saudades de Sampa e do Premê.

Instrução Normativa 4: moralizando a área de TI do Governo Federal

23/12/2008

O assunto que tratarei é um pouco enfadonho para quem não é versado em tecnologia, mas considero oportuno aborda-lo. Prometo ser simples, para melhor compreensão de todos.

Aos poucos, sem se dar conta, diversos órgãos de governo federal serão abocanhados pela Instrução Normativa 4 a partir do dia 02 de janeiro, que regula, e na minha opinião, moraliza as compras de TI dos órgãos públicos do Governo Federal. Vai dificultar a farra das terceirizadas, que entram na disputa por qualquer serviço, seja venda de equipamentos, infra, tecnologia para websites ou “máquina de cafezinho” com software embarcado.

A preocupação do Rogério Santanna e sua equipe, com Corinto Meffe e Nazareth Bretas entre outros, era criar uma normalização que eliminasse os vícios da área, impregnados por anos e anos depois que a terceirização assolou a Esplanada na era FHC. A construção do documento foi democrática, com a SLTI ouvindo diversos órgãos, que já estão se preparando para adotar as novas regras. Baixe aqui a IN4.

A IN4 moraliza as contratações, evitando, por exemplo, que os oportunistas do mercado ofereçam soluções fechadas caríssimas, sendo que outros órgãos públicos possuem resultados positivos que podem ser compartilhados. Os exemplos são inúmeros: plataformas abertas de sites, softwares de gestão administrativa, software de gestão de documentos (GED), gestão de processos e muitos outros. Isso força os administradores a terem equipes preparadas para o desenvolvimento,  investindo não em compra de licenças, mas em pessoas com boa formação nos quadros públicos.

Na seção 1 artigo 10, estão pontos fundamentais para diminuir os altos custos de TI do governo. Antes de licitar qualquer serviço, o órgão precisa verificar se outros órgãos públicos já possuem ferramentas similares para compartilhar, precisam consultar o Portal do Software Público ou verificar qualquer ferramenta em código aberto, ou software livre, para adotar. Isso acaba com a farra das compras redundantes, que desperdiçam dinheiro e alimentam a roda da corrupção e das licitações viciadas.

Enfim, é IN4 já! Ou TCU na cola.

Stevie Wonder e Phylicia Rashad no Cosby Show

22/12/2008

TV consegue momentos memoráveis, temos que ser justos.

Na segunda temporada do Cosby Show, episódio 18, que foi ao ar em 20/02/1986, a família Cosby recebeu a visita do genial Stevie Wonder.

Na época Stevie estourava mais uma vez nas paradas com I Just Call to Say I Love You, música que serviu de trilha sonora para o longa A Dama de Vermelho,  filme que está na minha categoria de insólitos.

Phylicia Rashad é uma atriz completa. Faz comédia, drama, dança e canta… divinamente.

Veja performance dela com Stevie Wonder, Lisa Bonet, Sabrina Le Beauf, Tempest Bledsoe, Malcolm-Jamal Warner e Keshia Night Puliam.

Natal Unicef: eu faço parte

18/12/2008

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Desde 1963 o Unicef comercializa produtos na época do Natal para ajudar crianças e adolescentes ligadas a diversos programas sociais no Brasil.

Essas ações são tradicionais. Me lembro bem de diversas bancas espalhadas pelas ruas de São Paulo, montadas exclusivamente para vender produtos como cartões de Natal simples e duplos.

Agora a banca é Virtual. Em parceria com o Submarino, o Unicef montou uma loja virtual com os cartões e outros produtos como relógios, kits de pratos e tigelas, bolas de futebol, tops e muitas outras coisas. Basta visitar o endereço da loja aqui, comprar, e o produto vai direto para sua casa enquanto a arrecadação segue para quem precisa.

Estudante prova que Correio Braziliense não vale um vintém

14/12/2008

É o que aponta a monografia de final de curso realizada pelo estudante Gustavo Braga: “A cobertura do governo Arruda feita pelos jornais Correio Braziliense, Jornal de Brasília e Tribuna do Brasil”. A tese foi defendida e aprovada em novembro no Centro Universitário de Brasília (Uniceub)

O post completo de Gustavo, que é da equipe do blog Manual dos Focas, pode ser visto aqui.

De roldão, Gustavo levou junto outros dois jornais, igualmente pobres em conteúdo e análise. O Correio se vende como o bastião da moralidade braziliense, mas o estudante comprovou, analisando as notícias de 11/08/2008 até 17/08/2008, que o jornal tem seu noticiário preso a agenda do governador do DF, José Roberto Arruda, sim, aquele que fraudou o painel do Senado com o falecido Antônio Carlos Magalhães.

Reproduzo aqui um parágrafo do post publicado no Manual dos Focas:

“Sessenta e duas unidades noticiosas referentes ao GDF publicadas pelos três jornais foram escolhidas para observação. Dentre estas, comprovou-se que 84% tratam exclusivamente da agenda oficial do governo. Todas as reportagens sobre o GDF identificadas no Correio Braziliense se referem à agenda oficial do governo, 95% das reportagens sobre o GDF identificadas no Jornal de Brasília se referem à agenda oficial do governo e 68% das reportagens sobre o GDF identificadas no Tribuna do Brasil se referem à agenda oficial do governo. Os números comprovam a super exposição do GDF entre os veículos analisados.”

Leia o post completo, vale a visita ao blog. É raro encontrar estudantes de comunicação com visão crítica sobre o meio em que atua. O que se vê nos bancos de faculdade são professores que não incentivam a crítica a comunicação, transformando os futuros profissionais em cordeiros das redações e adoradores do Deus mercado, preocupados somente com o tal furo e com a obtenção da fama a todo custo, que nunca virá.

Na Jukebox Mental, Mack The Knife

11/12/2008

A música com Bobby Darin foi blipada hoje.

Me lembrei imediatamente de um bolachão da década de 60 que eu ouvia constantemente quando pŕe-adolescente na década de 80. Eram os grandes sucessos das Big Bands e Bobby Darin ocupava com seu clássico de 58, Mack The Knife, a primeira faixa do lado A.

Vejam só. A canção composta por Kurt Weill tem letra de Bertolt Brecht e foi escrita para o drama musical Die Dreigroschenoper, conhecida em inglês como The Threepenny Opera em 1928. Aliás, o texto de toda a peça é de Brecht, e como sempre, é uma imensa crítica ao mundo capitalista vigente.

Antes de Darin, que criou a versão definitiva para a música, quem gravou em versão popular a canção foi Louis Armstrong em 1954. Desde então, diversos artistas se arriscaram a desafiar a interpretação de Darin, dentre eles Frank Sinatra e Ella Fitzgerald que ao esquecer a letra da canção nos primeiros versos improvisou e ganhou um Emmy por isso. Tonny Bennet, Mariane Faithfull, Nick Cave, Bill Halley, Tito Puente e Rubén Blades também fizeram suas versões. E, por fim, temos a adaptação de Chico Buarque para a peça, com sua Ópera do Malandro.

Sem milongas, abaixo Bobby Darin e sua voz espetacular, que me levou aos ouvidos as Big Bands.

2009 será o ano da consolidação das informações via web

10/12/2008

Não é somente a crise internacional que está levando jornais tradicionais nos EUA a optarem pela distribuição de informações via web. É a web em si, inovadora no formato de publicação, e os diversos equipamentos acoplados a ela, que estão levando público a abandonar o papel e o consumo de notícias centralizadas em poucos veículos.

É o fim de um tipo de oligopólio da informação, que produz o efeito cascata na notícia. Um colunista escreve e imediatamente jornais, rádios e TVs ligados ao mesmo grupo, com suas agências de notícias, repercutem invariavelmente, a besteira dita. O Brasil é craque nesse perverso formato, com a Globo e seus colunistas polivalentes.

O grupo Tribune americano, controlador do Los Angeles Times, pediu concordata.

O New York Times hipotecou sua sede e está demitindo funcionários.

A tradicional revista PC Magazine será editada pela última vez em papel em janeiro.

O Financial Times criou um plano de demissão voluntária para funcionários.

Em setembro o Audit Bureau of Circulations, órgão americano, divulgou que a queda de venda dos jornais impressos foi de 5% nos 6 meses de 2008 anteriores a pesquisa.

Os exemplos são inúmeros. A imprensa brasileira divulga estes dados internacionais, mas esquece de olhar para o próprio umbigo. Não se acha informação deste tipo aberta sobre a circulação brasileira de impressos. Só profissionais de mídia tem acesso a estes números.

Apesar de esconderem, esta queda chegará aqui, mais cedo ou mais tarde. A medida que computadores e equipamentos portáteis chegam às mãos da população, a liberdade pela procura de conteúdo vai se ampliando entre os consumidores de informação. Com isso, TVs e rádios já sentem o esvaziamento de audiência.

Vejam que interessante. A Globo foi a emissora que mais perdeu audiência no horário nobre. Concomitante a isso, seu faturamento cresceu em 2008: 7,5 bilhões.

Atualização às 15h30 de 10/12

Pois bem, toco mais uma vez em um ponto fundamental da escravização das agências de publicidade às emissoras de TV, ou outros grandes veículos impressos: o BV, ou, Bônus de Veiculação.

O BV sustenta essa desiguldade da Globo: audiência cai/faturamento sobe.

Toda vez que uma agência anuncia na emissora de TV, esta devolve uma fatia X deste dinheiro do anunciante como bônus para a agência. Então, se a Globo sobe o valor do seu BV isso estimula cada vez mais os anúncios em seus intervalos. Só isto justifica o crescimento mágico do faturamento em um ano de queda na audiência.

O processo de queda dos veículos convencionais é irreversível e inevitável como a  Era Glacial foi para os animais. Nem a TV Digital conseguirá interromper este processo, pois ela está fadada a repetir o monólogo das redes de TV, servindo somente para o transporte em alta definição de áudio e vídeo.

A revolução da comunicação está na portabilidade e conectividade dos pequenos aparelhos e da tinta digital que em breve será popularizada. Lembraremos de 2009 como o ano do abandono das mídias tradicionais pelo público. Então, que venha 2009.

Quadrinhos precisam ter evolução natural

07/12/2008

Não resisti e na última semana comprei o quarto número da Turma da Mônica Jovem, a nova aposta da equipe de Maurício de Souza para evoluir suas personagens criadas na década de 60.

Sou fã de Maurício de Souza e sua coragem de enfrentar um mercado tão tomado pela indústria americana de Disney e congêneres. Fazer quadrinhos no Brasil sempre foi difícil, devido ao alto custo de produção. Profissionais do desenho nunca faltaram aqui e a qualidade já foi atestada em diversas criações nacionais.

Mexer em uma obra consagrada e atribuir a esta novos elementos para conquistar nova fatia de público, ou atualizar a fatia que cresceu, é sempre difícil e temeroso. Mas Maurício e a editora Panini encararam o fato de que uma hora a Turma da Mônica deveria crescer e se adaptar aos novos formatos de desenho. O estilo Mangá não é novo. O formato que conhecemos ficou consagrado na década de 60, mas sua história se remonta ao século VIII d.C com o surgimento do emakimono, os rolos de pinturas japoneses do período Nara.

Puristas têm publicado posts criticando o crescimento da turma, mas o fato é que a Panini teve que publicar mais tiragens para conter a onda de procura do quarto número, em que Mônica dá um beijo em Cebola.

O puritanismo sempre foi o grande vilão dos quadrinhos. Na década de 40 e 50, os EUA e o Brasil posteriormente, sofreram uma onda de perseguição aos quadrinhos, com diversos educadores e psicólogos condenando as revistas por estimuleram o “mundo da fantasia” e a violência. Para entenderem melhor essa polêmica recomendo A Guerra dos Gibis de Gonçalo Junior. O autor relatou todo o início da chegada dos quadrinhos no Brasil com uma imensa pesquisa. Um livro fundamental para quem deseja entender como se configurou o mercado de comunicação no Brasil.

Em 1994, quando eu era estagiário na Rádio Gazeta AM de São Paulo, levei meu gravador para recolher algumas respostas de Maurício de Souza, que visitava a TV Gazeta para uma entrevista no programa Mulheres.

Perguntei: Maurício, por que esta dificuldade enorme para levar as animações da Mônica para a TV brasileira. Ele explicou o processo à epoca: – Para você ter uma idéia, para colocar um desenho meu na TV brasileira, tenho que levar a obra para fora do país e licenciar por fora.

Mauricio se referia, creio eu, aos prováveis acordos que as emissoras de TV possuem com as grandes redes americanas de animação, que praticamente “locam” o espaço na TV aqui no Brasil.

Perto da porta do elevador, com o gravador desligado, eu disse a ele: – Sou fã do seu trabalho e cresci lendo a Mônica. Queria muito ver diariamente seus quadrinhos na TV. Ele abaixou a cabeça e ficou alguns segundos eternos em silêncio. Ao caminhar para dentro do elevador Maurício virou e disse: – Por causa das suas palavras, vou voltar para o escritório agora e brigar mais um pouco.

Depois da polêmica, Record contrata auditoria

04/12/2008

Para registrar e atualizar o post imediatamente abaixo, depois da polêmica da auditoria do Ministério Público, que a Record dizia que iria acompanhar a arrecadação financeira para os desabrigados de Santa Catarina, enfim a TV resolveu contratar uma auditoria privada para acompanhar as contas. A escolhida foi a BDO Trevisan Auditores.

O que mais me espanta nesta história é o fato de uma emissora se lançar em uma campanha de arrecadação de fundos sem a mínima organização, abrindo brecha para a desconfiança, acreditando somente no taco do “eu sou a mídia, eu posso”, como se as instuições públicas fossem suas empregadas e não tivessem obrigações com todos os cidadãos.

Está lá, na Constituição. Os bispos, artistas e jornalistas da emissora não costumam consultar a Constituição para saber as obrigações do Ministério Público? O MP não pode realizar auditoria financeira em campo privado. Aliás, nem para instituições públicas. Este papel cabe ao Tribunal de Contas da União, em campo federal, e os outros tribunais estaduais e municipais.

É o despreparo. Como confiar no jornalismo que não faz uma simples checagem como esta, nem internamente, com seu departamento jurídico? Não sabem usar o Google?