Arquivo para Novembro, 2008

Na Jukebox Mental, Andrea Doria

28/11/2008

Andrea Doria foi um almirante da cidade-estado de Gênova, nascido na cidade de Oneglia em 30 novembro de 1466 e morto em Gênova em 25 de novembro de 1560.

Seu nome batizou diversas embarcações marítimas pelo mundo, como o luxuoso transatlântico SS Andrea Doria, que naufragou no dia 25 de julho de 1956, perto da ilha de Nantucket, quando cumpria a rota Gênova-Nova York depois de colidir com a embarcação sueca Stockolm. O golpe recebido a estibordo foi fulminante, abrindo um rombo de 25 metros no navio, que afundou durante 10 horas.

Em julho de 1986, a banda Legião Urbana lançava o segundo disco, Dois. Entre as faixas, Andrea Doria. Letra com culpa, medo, erros e poucos acertos de uma relação corrompida a partir dos desejos duradouros de um relacionamento longo e promessas intensas de felicidade.

No vídeo abaixo está um trecho do show de 1990 da Legião, realizado no Jóquei Clube em São Paulo, transmitido pela TV Manchete. No palco, um vocalista com feitos vazios e solitários em sua caminhada pelo palco, postura quase sempre emblemática nas apresentações de Renato Russo.

#prontomudei

26/11/2008

Enfim, depois de um dia com equipe de mudanças, #prontomudei. Agora é desempacotar, esperar a conexão de rede chegar e voltar aos dias normais. As atualizações aqui ainda podem ficar esparsas e comprometidas, mas logo se regularizam.

Em blogs, temos que tomar cuidado para não perder a essência da publicação. Aqui podemos relatar momentos pessoais que influenciam diretamente no conteúdo. Blog não é site de notícias, apesar de as vezes alguns posts terem essa intenção.

A mudança

24/11/2008

Peço paciência mais uma vez para quem acompanha os devaneios publicados aqui no Nas Retinas por mais um novo hiato. Mudar de casa nunca é simples, como todos sabem. Pois é, estou passando por mais uma mudança aqui em Brasília. Desde que cheguei em BSB, no final de 2003, é a minha terceira mudança, agora acoplada aos objetos domésticos o desejo de ser suficiente para mim mesmo.

No meio de caixas, dvds, roupas, cds, discos de vinil e equipamentos de som está escondida uma pessoa para o qual ainda não fui apresentado. Eu, com receio da vida, e o outro eu, que está com a mão estendida pedindo companhia, tem a coragem para dizer: – Vivi.

Decidi ir ao meu encontro. E, com o amor iludido momentaneamente estancado, peço aos amigos e amigas venham comigo.

Jornais despencam: é o papel contra o silício

21/11/2008

A agonia da tradicional revista americana PC Magazine, que a partir de janeiro deixa de ser impressa e dedica sua publicação somente para a Internet, é reflexo do que acontece com as mídias conservadoras pelo mundo. A PC Magazine tinha circulaçao quinzenal de 1,2 milhões de exemplares e em 2008 caiu para 600.000 cópias. Somente 7 empregados foram demitidos até o momento e a revista vai manter o corpo de 140 pessoas atuando no online.

No final de outubro o New York Times alertou em matéria sobre o declínio dos jornais americanos. Veja bem, não foi um blog que tratou do assunto, foi o New York Times. 500 jornais enviaram relatórios para o orgão de controle de circulação americano indicado queda de 4,5% na semana e de 4,8% aos domingos. O declínio é evidente.

Fazendo mais pesquisas na rede, encontrei matéria do veículo Meios & Publicidade de Portugal, apontando para a queda dos veículos portugueses. A 37ª Sonda apontou em pesquisa três fatores para a queda de jornais e revistas: menor poder de compra dos portugueses, chegada dos jornais gratuitos e melhor informação na Internet.

No Brasil é quase impossível encontrar informações deste tipo. Os veículos conservadores escondem o quanto podem os números da queda. O Instituto Verificador de Circulação é pago, portanto a informação não é pública. Os veículos conservadores no Brasil preferem esconder a sujeira por baixo do tapete ao encarar de frente o problema: nossa mídia está em frangalhos.

É uma crise de meio? Sim, pelas informações direcionadas que apresentam constantemente ao público, para defender seus interesses políticos próprios, ferindo sua própria credibilidade, e também uma crise de mídia no sentido literal: é a crise do papel (mídia) que vai sendo substituído por outros como CD, DVD, computador e, vejam só, vídeo-games. Podemos acrescentar mais modelos de mídia ai: celulares, Ipods e logo virão as telas com a E-Ink, a tinta eletrônica.

A crise do meio é quase fatal. Se o público não confia no que é publicado em jornais, revistas, TVs e rádios, a tendência é que a especialização de opinião e assuntos gerais seja consumida por blogs e veículos independentes, desconectados dos grandes portais. Não interessa mais linha editorial. Interessa se o interlocutor diz o que quero ouvir, e isso joga por terra os tais “blogueiros” como Noblat, Miriam Leitão, Lucia Hipólito e outros que são contratados por grandes veículos. Afirmo: não são blogueiros independentes, pois estão vinculados a  uma causa, a da mídia soberana e parcial de acordo com seus interesses.

Jornalistas antigos, de bengala, não conseguem enxergar este universo e por isso estão sendo consumidos por eles. Alguns afirmam, com receio da própria derrota, que são mídias diferentes que conviverão por muitos e muitos anos, de forma harmoniosa. Engano completo. A briga é de tecnologias: o papel contra o silício.

Novatos e sem vícios, estudantes fazem melhor jornalismo do que veteranos

19/11/2008

No noite desta terça assisti pela segunda vez o Profissão Repórter, programa coordenado pelo competente Caco Barcelos com reportagens realizadas por estudantes de jornalismo.

De longe, é o melhor programa de reportagens no ar na TV. Se o Globo Repórter fosse feito por esta equipe, com certeza deixaria de ser a mediocridade que é. Aliás, se diversas matérias do Jornal Nacional estivessem nas mãos do Caco e da garotada, não teríamos o péssimo jornal que impregna a vida dos brasileiros diariamente na TV.

Arrisco dizer que o sucesso do programa está na liberdade que Caco possui para não ser censurado e coordenado pela cúpula de jornalismo da Globo.

A edição é dinâmica, os repórteres são bem pautados e têm liberdade para exercitar a curiosidade durante as gravações, fator essencial para buscar mais elementos das personagens apresentadas nas matérias.

Profissão Repórter não se contenta com a tal “duas versões”. No programa da semana passada e desta, pelo menos 3 pontos de vista dos assuntos foram abordados.

Caco Barcelos prova que não é difícil fazer bom jornalismo na TV. Basta querer e não ser entreguista e cooptado.

Espero, sinceramente, que estes garotos e garotas coordenados por Caco não percam seu talento ao longo da carreira. Sei que é difícil. Ao pisar nas redações a caminho do futuro profissional, os estudantes estarão frente a frente com o cinismo dos jornalistas tradicionais, com a matreirice para direcionar entrevistas, com a canalhice para assassinar reputações e, se vierem até Brasília e ficarem em qualquer destes comitês de imprensa dos ministérios, estarão diante do mais sujo golpe contra a liberdade de informação: as combinações de pauta que os jornalistas costumam fazer aqui para que um não fure o outro e todo mundo de a mesma coisa no dia seguinte, para evitar que o colega seja punido via editor pelo furo que não produziu.

Yukon Ho!!!!

15/11/2008

yukongif

Espero ser enfático:

Em mim ninguém vai mandar!

Ó terras geladas do Ártico!

Isso é que é vida! Mal posso esperar!

O local indicado por Calvin para sua plena libertação dos desmandos do mundo pode ser adaptado para qualquer canto do nosso país tropical, mas a essência continua a mesma: na infância, mais até que na caótica adolescência, teimamos em ampliar as áreas ao nosso redor como se fossem outros mundos a desbravar. Hoje, já adulto (?), me recordo que lugares imensos da minha infância em São Paulo, que eu demorava a cruzar, podem ser explorados com poucos passos.

A Estação da Luz é o maior exemplo para mim. Quando criança, algumas vezes, meu pai ia de carro pegar meu avô que trabalhava como jornaleiro na clássica banca de revistas do Lazarinni. Eu ia junto. Ao parar em frente da estação, eu descia do carro e avistava a banca, bem longe, e corria a passos largos ao encontro do meu nôno e do seu universo de gibis. Há poucos anos, desde que vim para Brasília, comecei a vasculhar meu baú de lembranças e me dei conta: foi meu nôno quem me apresentou a cultura pop dos quadrinhos. Todas as noites eu esperava ansioso ele chegar com as revistinhas. No começo, quando eu não lia nada, aos 5 anos, os gibis eram folheados em minutos e eu dizia “Acabei”, para ter como resposta somente um sorriso maroto do meu avô em seu jantar tardio. Com o passar dos anos e a alfabetização, demorava para entrega-los.

Funcionava assim. Ele trazia os gibis e quando terminado, ele os levava de volta para a banca, para o tal recolhe, quando as editoras buscavam os exemplares não vendidos. E foi assim por muito tempo, até sua aposentadoria. Pelas mãos do meu avô tive contato com Marvel, Disney, Mauricio de Souza e muitos outro na infância. Na adolescência, ele trazia os clássicos do Angeli, do Glauco, Laerte, tudo que saia na editora Circus, mais O Planeta Diário, Casseta Popular e enfim, uma eternidade de revistas e quadrinhos que hoje fazem parte da minha vida.

Comecei este post para falar da obra de Bill Waterson, o genial cartunista americano criador de Calvin and Hobbes, no Brasil traduzido como Haroldo. O nome Calvin foi inspirado no téologo protestante que questionou a teologia cristã. Hobbes, o tigre, foi batizado em homenagem ao filósofo Thomas Hobbes.

Publicada de 18 de novembro de 1985 até 31 de dezembro de 1995, as tiras de Calvin questionam a ordem vigente, exaltando o livre pensamento e instigando nós, adultos, a todos os dias avaliarmos nossas ações, que, invariavelmente nos traem. A máquina burocrática nos consome diariamente e Bill Watterson lembra sempre que pequenas ações podem ser subversivas ao ponto de mudarem relações e afetarem ambientes. Talvez seja a micropolítica de Guatari.

Praticamente não existe licenciamento de produtos para merchandising de Calvin and Hobbes. Watterson é contra isso e não permitiu sequer que sua obra fosse adaptada para TV e cinema, preservando sua essência das tiras. Alás, é preciso lembrar: Watterson criou Calvin durante sua passagem como ilustrador em trabalhos terríveis e tediosos em publicidade. Como conhece a linguiça, sabe que não poderia reproduzi-la com sua obra.

Em meados de 2000, visitei novamente a Estação da Luz, depois de muito tempo. Refiz o caminho para a banca de jornal. Ela não está mais lá. Mas no chão, estava a marca perfeita do aço no piso, demarcando o lugar onde por tantos e tantos anos, desde a década de 60 talvez, a banca esteve fincada. Peguem suas coisas! Vamos para Yukon!

Abaixo, em foto de Tereza Maria encontrada no Picasa, quase o local exato: a banca ficava ao lado esquerdo da escada, para onde ruma o casal de namorados.

estacaodaluz

Entrei de Gaiato

13/11/2008

Comentários maliciosos no trabalho geram boas lembranças. No meu caso, lembrei imediatamente do grande ator e comediante Zé Trindade. Na falta de idéias para o blog, a lembrança gerou este post.

Em busca no YouTube, o primeiro vídeo trás Zé Trindade, Chico Anysio e Costinha no filme “Entrei de Gaiato” de 1959 com direção de J.B. Tanko. Prestem atenção no jeito malicioso do Zé para interpretar uma piada. O roteiro afinado abria o flanco para Trindade abusar de comentários populares, código para atrair a simpatia do público.

Quantum of Solace

11/11/2008

quantum1

A recuperação da franquia James Bond no cinema, se continuar com este nível de roteiro e produção, será irreversível. Quantum of Solace, em cartaz no Brasil desde sexta, confirma Daniel Craig no papel do agente 007 pela evolução que concedeu a personagem, o único ator que conseguiu chegar aos pés de Sean Connery, o primeiro protagonista dos romances de Ian Fleming.

Abrindo parênteses: Peter Sellers interpretou James Bond na versão original de Cassino Royale, contracenando com Ursula Andress no papel de Vesper Lynd, filme que conta ainda com a elegância de David Niven como Bond mais velho. Mas, veja bem, isso é história para um outro por do sol.

O mérito do novo longa, assim como o primeiro, é o de desmistificar toda a parafernália tecnológica inútil em filmes acumulados desde a década de 70. Os gadgets são simples, apesar do telão interativo do MI6, e a máquina de matar é o próprio homem, Bond, em sua busca por vingança pela morte de Vesper. A frase clássica de apresentação do agente e a bebida que ele mais gosta também foram dispensadas.

É interessante notar como Bond evolui com a interpretação de Craig. No primeiro longa, Bond é cru, quase um estivador. Em Quantum percebe-se aos poucos a evolução do seu refinamento característico, antes consolidado em Sean Connery. Lembrem-se que o agente conseguiu sua licença para matar no filme anterior, portanto, ainda é um iniciante.

Judi Dench, a única atriz que restou dos filmes anteriores, mantém M impoluta e com dignidade. Era constrangedor vê-la emprestando seriedade aos roteiros fracos ao lado de Pierce Brosnam. Agora, ela tem um ator a altura e um papel forte, digno da sua formação teatral. Abaixo, Daniel Craig e Judi Dench em cena de Quantum of Solace.

danieljudi

Boça na Bossa

10/11/2008

Para começar a semana, nada melhor do que a boa música brasileira. Com vocês o genial Boça, um músico multi-instrumentista brasileiro e seus convidados no programa Boça na Bossa.

O valor pessoal de ter um blog: a nova era já existe

07/11/2008

A experiência de ter um blog fica comovente a cada dia.

Quando criei o Nas Retinas em 2006, eu já trabalhava com Internet há quase 10 anos, mas nunca pretendi ter paciência para alimentar diariamente um canal de informação.

Dois anos depois, alguns posts aqui renderam boas polêmicas, elevando o acesso do blog em alguns dias. Acabei até virando “colunista” involuntário do site da Revista Fórum, que vira e mexe republica alguns posts daqui por lá. Tudo aqui é GPL.

E eis que em um dos últimos posts sobre a vitória de Barack Obama recebo a visita do diretor Peter Cordenonsi, indicando um vídeo no YouTube sobre o seu documentário lançado no início do ano. Com a palavra, Peter: “Caro Emerson, sou leitor de seu blog há um bom tempo. Não sei como mandar um e-mail para você. Mando um fragmento do documentário que realizei: A Grande Partida: Anos de Chumbo, homônimo do livro do Francisco Soriano. É um depoimento de Marcos Arruda, uma mensagem de esperança para um mundo/sistema que já morreu. São 5 minutos, mas vale muito a pena.”

Peter agora já sabe como mandar um mail para cá. Assista ao vídeo logo abaixo.

Nós, que pensamos sempre num mundo diferente do que está ai, mais justo, social, igualitário, lutamos sempre, e neste caminhar de batalhas cotidianas podemos fraquejar e pensar em desistir, imaginando que fomos consumidos pelo que não queremos. O depoimento de Marcos Arruda, no olhar afiado de Peter, nos faz levantar e pensar mais um pouco sobre o valor da contínua luta por mudanças, em momentos delicados quando o pessimismo nos assola. Não é auto-ajuda vazia, que lança as pessoas somente em busca de dinheiro e bem estar pessoal. É ideologia, para repartirmos nossas conquistas com nossos semelhantes, estimulando-os a repartirem as suas também.

Boa sorte Peter em sua caminhada como cineasta. Este cinéfilo aqui quer assistir seus trabalhos em tela grande!