Arquivo para Outubro, 2008

Na Jukebox Mental, High and Dry

30/10/2008

O mundo nos presenteou com Radiohead e o Radiohead nos presenteou em 1995 com seu segundo álbum de estúdio, The Bends, que contém a faixa High and Dry, inicialmente gravada para sair no primeiro trabalho da banda, Pablo Honey, de 1993.

High and Dry foi abandonada pela banda por soar extremamente pop para o primeiro disco, mas foi recuperada posteriormente para o segundo álbum, se enquadrando melhor no formato sonoro que a banda criou.

Ainda bem. High and Dry fala de paixão e amor nas entrelinhas do desastre, seguindo o falsete de Thom Yorke. A música não é executada mais nos shows da banda. Thom a classifica como horrível. Não se sabe o motivo, mas abaixo você pode conferir o clip original, num pequeno enredo de dramas pessoais.

Retornando, aos poucos…

29/10/2008

Passados os furacões China e Eleições 2008, pretendo agora tentar (eu disse tentar) retornar com pelo menos um post por dia neste blog.

Foram meses difíceis aqui na EBC, porém o prazer do trabalho foi imenso.

No último domingo realizamos na TV Brasil o primeiro teste interativo de público na web para a TV. Foi uma experiência de TV Digital na TV analógica.

O telão de resultados das apurações da TV, comandado pela equipe de apuração, foi liberado no site para o público a partir das 19h30 de domingo. As pessoas então passaram a preencher nome, estado e cidade e enviar para a tela da TV os gráficos da apuração assinados. Com isso, o público interferiu pela primeira vez na programação de uma TV de forma direta, sem essas balelas de votação por telefone ou SMS.

Então, espero agora cumprir meu acordo de um post por dia. Me cobrem!

10 motivos para não votar em Kassab

25/10/2008

1. As 5 clínicas de médicos especializados que a Prefeitura disse que construiu na gestão Kassab na verdade não passam de estruturas improvisadas ao lado dos postos de saúde, ou “puxadinhos”, como definiu um especialista; as 10 novas “clínicas” que o prefeito promete em sua propaganda eleitoral, na verdade, serão novos “puxadinhos”, sem a menor condição de atender pacientes;

2. A nova calçada da Avenida Paulista, poucos meses depois de inaugurada, apresenta problemas de toda ordem: fissuras, inadequação para cadeirantes, empoçamento em alguns trechos. Ainda assim, ficou cerca de R$ 2 milhões mais cara do que o orçamento inicial e a licitação que deu à Engeform o direito de construi-la é questionada na Justiça – a empresa é doadora da campanha de José Serra ao governo paulista;

3. São Paulo apresenta um dos piores desempenhos educacionais do País em suas escolas públicas. Ainda assim, a gestão Gilberto Kassab , que tinha prometido acabar com o chamado “turno da fome” em 2007 (como ficou conhecido o turno das 11h às 15h das escolas municipais de ensino fundamental de São Paulo) anunciou há um mês que só vai resolver isso em 2010 (promessa para depois, portanto, da sua gestão, já que a eleição é só no domingo).

4. O prefeito Kassab dobrou os gastos com publicidade entre 2006 e o ano passado, com despesas empenhadas (gastos autorizados) de R$ 66,9 milhões, valor 117% superior ao do período anterior. Foi o maior salto entre todas as secretarias de Kassab, que ontem divulgou o balanço provisório de 2007.

5. A gestão Kassab é a mais suscetível dos últimos anos à especulação imobiliária. Recentemente, “destombou” 21 casarões na Lapa, zona oeste da capital, galpões nas ruas Faustolo e Coroados, para entregar à voracidade especulativa. São do início do século passado, mas a prefeitura diz que não têm interesse histórico. Mas têm muito interesse comercial, já que são 1,5 milhão de metros quadrados. Isso mostra, inclusive, a intenção que havia quando se desmontou por completo o Conselho do Patrimônio Histórico.

6. Na área cultural, a grande (e única) vitrine dessa administração é a Virada Cultural, apresentada como uma iniciativa de democratização do acesso à cultura. Pesquisa Datafolha mostrou, no entanto, que a Virada foi vista majoritariamente, esse ano, por gente muito jovem, com dinheiro para comprar ingresso para qualquer tipo de show e que vive nos bairros de classe média alta. A Virada exclui a periferia, e isso é considerado normal. A lei de incentivo à cultura municipal, a Lei Mendonça, foi quase que totalmente desarticulada.

7. Na área política, a aliança que apóia Pitta reúne o maior grupo retrógrado de São Paulo em diversas épocas: Wadih Mutran, que tentou impedir a instalação da CPI que investigou a Máfia dos Fiscais; Maeli Vernigniano, integrante daquela agremiação de rapina; Brasil Vita, antigo trator malufista; Toninho Paiva (vereador que também é conselheiro do Conpresp, e chegou a legislar em causa própria recentemente para destombar patrimônio público), entre outros. Em nível nacional, seus parceiros são Jorge Bornhausen e outros políticos dessa linha progressista. E, é claro, é aliado de Celso Pitta e Paulo Maluf (cujo filho Flávio foi interrogado ontem em São Paulo por dois juízes franceses, Henri Pons e Jean-Marie d’Huy, que querem que ele explique um depósito de US$ 1,45 milhão na conta do pai, que assina o depósito mas nega ter dinheiro em sua conta).

8. Kassab não teve nenhuma idéia original em relação à gestão pública. Não criou os CEUs, não criou as AMAs, não imaginou a Lei Cidade Limpa (embora a tenha implantado). Não há um só sopro de originalidade em sua gestão. Mostra-se um zelig político: em um vídeo amplamente assistido no Youtube, ele se deixa “converter” durante um culto evangélico, prometendo fidelidade àquela corrente.

9. Kassab representa agora também o governo de Geraldo Alckmin, que se tornou seu aliado de ocasião, e que foi o governador que destroçou a segurança pública no Estado de São Paulo, criando as condições para que a polícia civil aqui se tornasse um dos piores salários do País e fazendo negociações que fortaleceram uma organização criminosa chamada PCC. Não bastasse isso, foi o governador sob o qual prosperou uma criminosa sangria às instituições pública, como no caso da CDHU, cujo prejuízo foi avaliado pelo Ministério Público como algo em torno de R$ 1 bilhão;

10. A gestão Kassab mostrou-se extremamente despreparada em relação à questão do trânsito. Ameaçou construir pistas exclusivas para motos na Avenida 23 de Maio, e recuou. Ameaçou impedir a circulação de motos nas marginais e recuou. Estabeleceu um rodízio de caminhões que se revelou inócuo e até piorou a questão do trânsito. Não tem novas propostas e conta com a desmemória dos cidadãos sobre os recentes blecautes na cidade;

Desmistificar o engano Kassab: missão de todos que lutam por uma cidade democrática

22/10/2008

Em 2005 e 2006, diante das matérias absurdas e fantásticas da revista Veja (o verdadeiro Almanaque Abril) sobre o presidente Lula e a campanha eleitoral, houve uma reação intensa de uma parcela do público na Internet para reduzir o número de assinantes da revista. Eles sentiram o baque. Recentemente começaram até a vender filmes com a revista, utilizando uma tática de marketing baixa para ampliar a presença nas bancas.

Com Kassab pode ser a mesma coisa. É preciso desmistificar para os cidadãos de São Paulo a peça de marketing que é Kassab, um político construído pela imprensa paulistana para consolidar o poder político de José Serra e sua candidatura para 2010.

Kassab está sendo construído pela manipulação de imprensa, que produz pautas favoráveis ao canditado em jornais, rádios e TVs para driblar a lei eleitoral, que não verifica este tipo de prática que influencia o eleitorado. A mídia paulistana trabalha, como sempre, na brecha da Lei.

Entenda como isso acontece. Para beneficiar Kassab, a imprensa paulistana distribui pautas de serviços públicos, que se refiram às atuais ações da prefeitura, para levar ao eleitor um aspecto de boa administração generalizada, competente e responsável. E isso influencia o boca a boca nas ruas. As TVs conseguem ter um impacto maior.

O Observatório Brasileiro de Mídia constatou essa tendência recentemente. Veja trecho do relatório: “A candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy foi noticiada em menor volume do que a dos seus dois principais oponentes. A candidata do PT, embora tivesse o apoio do presidente Lula e melhor posição nas pesquisas de intenção de voto, teve essas situações secundarizadas no noticiário que privilegiou a polarização entre as candidaturas do DEM e PSDB e esvaziou o noticiário da petista. Enquanto o candidato do DEM teve 65 reportagens que noticiaram o apoio de lideranças tucanas, a petista teve 21 reportagens sobre o apoio do presidente, de ministros e lideranças políticas importantes como a deputada Luíza Erundina”.

Por isso, cabe a todos nós, mesmo que as conversas sejam difíceis, explicar para os que pretendem dar seu voto a Kassab que tudo não passa de uma ilusão para transformar São Paulo em curral eleitoral do PFL (DEM), com o intuito de consolidar o projeto político de Serra. Lembrem-se que o PFL foi banido em quase todas as capitais, mantendo o poder somente em Brasília com o fraudador do painel do Senado, o governador Arruda. A tentativa de se manter no comando de São Paulo se justifica pela sobrevivência de um partido. Se perder São Paulo, o PFL (DEM) está fadado a ser esquecido. Temos que trabalhar para isso, pelo bem do país e dos cidadãos mais humildes.

Isto é Kassab: lembra de quando ele agrediu e expulsou um trabalhador humilde de um posto de saúde? Gritando: “vagabundo”?

19/10/2008

Este é o espírito de Kassab, conservador e truculento. As cenas chocantes foram exibidas em todos os veículos de comunicação, que naquela vez não conseguiram purificar a imagem do prefeito.

O prefeito disse que não houve violência física, mas você poderá relembrar como ele foi para cima do cidadão e empurrou, caracterizando SIM a violência física. Veja abaixo.

Isto é Kassab = Maluf e Pitta

19/10/2008

No material de campanha de Marta, cassado pelo TRE-SP, você pode aprender mais quem é Kassab e informar seus parentes e amigos. Baixe aqui, imprima e distribua.

Kassab é fruto do marketing, para enganar os eleitores.

Kassab apoiou Maluf e Pitta.

Kassab é subproduto da bandalheira que assolou São Paulo na gestão Pitta.

Kassab tentou impedir a cassação do prefeito mais corrupto de São Paulo: Pitta

Pitta foi preso na Operação Satiagraha, conduzida pela Polícia Federal.

Maluf foi preso em 2005 por desvio de recursos públicos.

Kassab é Pitta e Maluf. Diga isso para seus parentes e amigos.

A Polícia de Kassab e Serra: desastre em solo paulista. Eleitor: vc está sendo manipulado pela imprensa

18/10/2008

Não se engane caro leitor e eleitor: a mídia paulistana está mais uma vez defendendo seus interesses, intimamente ligados a reeleição de Kassab que servirá de plataforma para a disputa eleitoral de 2010 com Serra candidato.

A falta de comando e inteligência da polícia do PSDB em São Paulo está escondida nas entrelinhas dos jornais.

Vamos nos lembrar do Ônibus 174 no Rio. Depois do desastre na operação de libertação da refém, a imprensa brasileira classificava a polícia carioca de despreparada.

O que vemos hoje com o caso do cativeiro da menina Eloá? Nenhuma manchete da imprensa chamando a polícia paulista de despreparada ou algo do gênero. Ao contrário, a manchete fica para o governador que foi ao hospital saber da situação das meninas nesta manhã de sábado.

Nem em um filme do Eddie Murphy, ou uma polícia sob o comando do tenente Frank Drebin, o negociador devolveria uma refém. A lógica das negociações com sequestradores é sempre retirar os reféns. Vimos no que deu a falta de inteligência policial.

Na quinta, assistimos o caos da segurança pública com o confronto entre as polícias Civil e Militar. O enfoque das matérias sobre o confronto fica para o governador, que prefere atribuir a culpa de tudo, sempre, aos partidos políticos, como se ele não fizesse parte de um e também não tivesse seus interesses políticos.

São Paulo sob Kassab e Serra é o caos na educação e na segurança pública. São Paulo, dentro da bolha de imprensa, se prepara para servir de plataforma política, num curral eleitoral, para o conservadorismo e o retrocesso.

Os erros da campanha de Marta

14/10/2008

Antes que você continue lendo este post, já aviso: sou eleitor de Marta em São Paulo, apesar de morar em Brasília. Não mudei meu título para a capital e nem sou bucha de canhão da direita, como vários militantes que se dizem “de esquerda”.

Dito isto, prossigo, como eleitor de Marta e uma pessoa contrária ao conservadorismo e pragmatismo político representado por Kassab, que a campanha de Marta erra absurdamente.

Desde o primeiro programa político do primeiro turno já estava traçado que seria Kassab a pedra no caminho e não a mediocridade política de Alckmin. Kassab é fruto do seu programa eleitoral, extremamente bem feito. Seus marketeiros fizeram o prefeito falar a linguagem da população humilde, não economizando em gírias quando o alvo é o público jovem da periferia e nem evitando o sotaque e a linguagem conservadora dos mais, digamos, antigos. A campanha fez um prefeito inexpressivo falar a linguagem de todos. Não é preciso, portanto, convencer a classe média. Esta já está mais do que induzida a votar na direita.

Marta não consegue falar a língua do público, a mesma que Kassab levou de roldão com seu programa. Apesar da boa produção e roteiro, a candidata não conseguiu descer do pedestal, e isto se faz no linguajar, nos trejeitos e no corpo a corpo. Claro que ela não pensa e nem age assim, mas o programa de TV não conseguiu traduzi-la. Que fique o alerta para o comando de campanha.

Outro erro lamentável que serve de combustível para a mídia paulistana, que já é contra sua eleição: tratar a equipe do CQC com arrogância, não aproveitando a mídia e as brincadeiras dos repórteres para aliviar esta imagem. Mesmo que as perguntas sejam picantes, são inteligentes, e só perde o candidato que não as responde ou não entra na brincadeira. Kassab foi alertado para isso.

Mas a equipe de imprensa da Marta ainda não. Preferem barrar os humoristas em coletivas de imprensa e durante as caminhadas da candidata, seus assessores os chutam e empurram, como aconteceu no sábado com Danilo Gentili. Conclusão: a candidata foi malhada no programa da última segunda e o humor é impiedoso, pior para qualquer candidato do que jornalismo mal feito.

Em crise com a classe média, Marta prefere falar com o Pânico na TV, que atinge as classes C D E, eleitorado que ela já conquistou. Se falasse com o CQC, entraria nos lares exatamente daqueles que tem diculdade em compreender suas propostas: o eleitor que a rejeita.

Na Jukebox Mental, Gigliola Cinquetti

13/10/2008

Para Yasodara e DPadua

Nascida em Verona, Itália, em 1947, a cantora Gigliola Cinquetti conheceu o sucesso aos 19 anos quando gravou a canção Dio Come Ti Amo de Domenico Modugno. Bastou para a realização do filme homônimo, no mesmo ano, com direção de Miguel Iglesias. No filme, Gigliola canta e atua. Nada de especial no longa. Enquanto o cinema novo avançava no Brasil e a Nouvelle Vague ainda persistia em tomar Paris, dez anos depois de ter sido cunhada pelo crítico Françoise Giraud, o dramalhão italo-adolescente ecoava ainda mais a bela voz de Gigliola, que vc pode ver e ouvir logo abaixo.

Presidente Lula e a falta de assunto dos jornalistas

10/10/2008

Depois de assistir a entrevista concedida pelo presidente Lula aos portais de Internet UOL, Terra, IG, G1, Limão e Agência Brasil, nesta manhã no Palácio, cheguei a conclusão de que tomaram o tempo do presidente com um papo inútil.

Foram perguntas rasas sobre a crise financeira, Internet, Banco Central, que o presidente literalmente passeou. Para perguntas péssimas, as respostas foram ótimas.

Pouco se falou dos investimentos públicos em saúde, educação, a greve dos bancos que está dificultando a vida da população e sobre a revelação de ontem feita pelo ministro Tarso Genro de que o presidente já definiu Dilma Roussef como candidata feita em entrevista à Agência Brasil.

Ao final, depois de se despedir dos jornalistas dizendo que estava seguindo em viagem para São Paulo, o presidente foi interpelado por um jornalista que disse: – Presidente, a gente não falou nem um pouquinho de política”. Vejam no trecho abaixo a resposta enfática do presidente.

É importante ver esses elementos recortados das edições principais. Os jornalistas em seus sites, em suas revistas, jornais, etc, fazem quase sempre questão de colocar os entrevistados em posição inferior, para manter a hegemonia da opinião em suas bocas.