Que presente de aniversário seria melhor em uma cidade como Brasília do que chuva? Sim, chuva. Para quem não é destas paragens, eu explico: aqui em Brasília ficamos mais de 120 dias sem um pingo de água. Nem aquelas chuvinhas levíssimas e isoladas de julho surgiram. Nada!
Fim de agosto é crítico e o cidadão passa até a sonhar com chuva, como aconteceu comigo nas últimas semanas devidamente afetado por uma faringite.
Ontem completei 35 anos e além da chuva, recebi o presente de uma festa com batalha musical que não organizei. Não que fosse surpresa, nada disso, eu sabia, pois o Cezinha, organizador e impulsionador, foi quem tratou de disparar o mail com a idéia de que os convidados trouxessem seus Ipods, celulares, notebooks ou qualquer coisa que executasse músicas para realizar a programação musical do evento. Eu simplesmente montei meu mixer no hometheater para que os equipamentos fossem espetados e pronto… todos viraram DJs com direito a prêmio fabricado pela senhorita Bia: uma bela caixa estilizada com Ipod e fitas cassete. Dentro, sabonetes com o desenho RSS. Um primor.
Aqui vai um relato íntimo, que raramente digo aqui, mas que vale neste momento. Eu não me dou bem com meu aniversário, detesto festas e não gosto que a atenção esteja voltada para mim. Acho que existem problemas demais no mundo, e pessoas bem mais interessantes do que eu, para que tudo gire ao redor do meu umbigo. Discuti isto com minha antiga analista inúmeras vezes. Reuniões em bares e outras coisas já aconteceram, claro, mas geralmente gosto de sumir nesta data.
Mas ontem, ontem… o que aconteceu foi mais que uma festa, foi uma volta à minha infância. Em certo momento, parei para observar e rir de felicidade com todas as pessoas amadas presentes, algumas já mais antigas desta jornada em Brasília, e outras mais novas, porém igualmente solidárias e idealistas. E todos se divertiam com os desafios de estilos musicais para manter a pista animada. Grafo pista sem aspas pois a sala virou isso mesmo, literalmente.
Nesta volta mental, me lembrei que talvez minha última festa foi aos 12 ou 13 anos de idade, exatamente igual a ontem, com crianças encantadas ouvindo músicas e tocando discos. Na época, Radio Pirata e Thriller estouravam nas bolachas. Todos aqui eram crianças de novo e por um momento senti falta dos chápeus de festa, bolo, apitos, língua de sogra e brigadeiro. Vi casais enamorados, futuros casais e aquela garota encantadora que eu sempre esperava, e espero, todos os dias, desde minha timidez adolescente até a maturidade paciente. Flertes, sorrisos, birras e encantos criaram um dia inesquecível, com tudo que eu gosto: boa conversa, boa música e pessoas incríveis.
Agradeço a todos, especialmente ao Cezinha, que passou por cima da minha ranzinzice bem humorada com sua amizade para não deixar eu desistir da idéia.
No final, crianças, voltem sempre com seus pacotes debaixo do braço, seus discos, seus cassetes, seus vestidos de bolinha e macacão xadrez. O garoto aqui do vídeo-game estará esperando vocês.
Tags: amigos, aniversário, Brasília., Chuva, festa
31/08/2008 às 8:16 pm
Cara, é aquilo que eu disse no Twitter: eu não fiz muito, só dei o pontapé inicial. O povo que apareceu é que foi a estrela da noite! Todos entenderam a grande farra e se divertiram a valer.
01/09/2008 às 12:02 am
[...] já que falamos de sábado… enfim, deixo vocês com o relato fantástico do Emerson da sensacional farra (era pra ser batalha, mas esculhambamos a batalha) de [...]
01/09/2008 às 9:01 am
E que saber… a vida vale por estas horas de vida intensa… de volta as nossas origens ao estado nascente das pessoas. Feliz aniversário, mesmo sem te conhecer (coisas da web!)
01/09/2008 às 10:24 am
Que bom Emerson, um beijo no Cezinha por ter conseguido esta proeza e assim que chegares a Sampa nós vamos ao Leo
beijinhos e super novo ano para ti.
01/09/2008 às 12:16 pm
Para mim, também foi uma volta aos bons tempos, onde o encontro com os amigos faz tudo o que é bom e leve ser possível por algumas horas. Foi um deleite estar com novos e velhos amigos – e principalmente com vc: um velho amigo novo! Até a próxima farra!
01/09/2008 às 1:39 pm
Queridão, FELIZ ANIVERSÁRIO!
Lindo depoimento!
Abraço!
01/09/2008 às 2:14 pm
fiote,
essa galera é muuuito foda!
abração pro’c e que venha a próxima batalha musical
01/09/2008 às 3:09 pm
O que dizer… farra das boas, de comover (de felicidade) só de lembrar. Tenho certeza que entrou pra história de cada um de nós.
02/09/2008 às 4:28 pm
Essas farras precisam acontecer mais vezes!!!!!!
=D
02/09/2008 às 5:05 pm
te conheço há quase 10 anos e nem a sua idade sei, para se ter uma idéia da sua aversão à aniversários.
adorei o relato e adoraria ter estado aí (nem que fosse para acabar com a sua festa! ahahahahah).
beijos
03/09/2008 às 1:29 pm
Noh vei, acho que nem sabia que era seu aniversário! Parabens cara!!
PS: Me é familiar essa aversão a aniversários, e eu diria praticamente o que vc disse à este respeito. Chega nesta data, eu me livro do celular, saio sem dizer pra onde vou, e só volto no dia seguinte (o que me lembra que muitos aniversários eu passei jogando “rock ‘n roll racing” na casa de um primo, só eu e ele).
Abração cara!
Jester
18/09/2008 às 12:45 pm
[...] foi do professor Sivuquinha, que fez sua sanfona respirar com tangos, chotes e chansons. E, como aconteceu há duas semanas na casa de Emerson Luis, a alegria dos risos e conversas envolvidas com a música fez chover no [...]