A primeira audição (atrasada por sinal) do novo álbum do CSS (Cansei de ser Sexy) no sábado passado foi um petardo sonoro. Desde então, Donkey, o segundo trabalho da banda paulistana, não sai do Ipod e do note, transformando minha jukebox mental em uma nova categoria, a semanal.
Desde Sepultura o Brasil não possuia uma banda que arregimentasse fãs mundo afora. O Cansei de ser Sexy conseguiu o feito, enfrentando o mundo hostil do movimento indie para cair das graças do berço das bandas independentes européias, Londres, e seu público ávido por coisas novas o tempo todo. A ferramenta: a Internet. Mais uma vez a rede explode novas tendências, enquanto ainda boa parte da indústria fonográfica continua cega para os novos movimentos midiáticos. O vídeo que começa este post mostra o público empolgado com o CSS no festival de Glastonbury de 2007.
Donkey é quase a supremacia sonora da banda desde o CD independente de estréia em 2005. Pode-se ouvir em todas as faixas diversos elementos da música pop moderna desde a década de 70, com boa cortina de guitarras e teclados que nos remetem a Joy Division, Talking Heads e o New Wave da década de 80. Give Up, a faixa 5, tem um início Ian Curtis. Move, a faixa 9, é David Byrne. Believe Achieve, a faixa 11, é um misto de New Order e Pet Shop. Em tudo, claro, o indie rock está presente.
Como diz Cezinha, a vocalista Lovefoox chegou cedo ao equilíbrio vocal, sem tantos agudos estridentes que tapeiam os ouvidos. Sua marca está lá, voz alta e condutora das pistas. Todo o conjunto sonoro da banda evoluiu muito. Na história do grupo, formado em 2003, as noções musicais de todos eram básicas e despretenciosas. Hoje, o gene X está em tudo: bateria, baixo, vocais e teclados.
Donkey foi testado nos palcos. Em diversos vídeos no YouTube pode-se ver a banda tocando as faixas com o público. Por isso a maturidade sonora atual. Tudo, repetindo, deliciosamente despretencioso.
Aqui vale um elogio aberto para a gravadora Trama e seu novo conceito para o lançamento do álbum. Tudo é de graça para o público. No site, pode-se baixar capa, encarte e claro, as músicas em MP3, tudo patrocinado via site e somente nele. Ou seja, uma empresa bancou os custos de gravação e lançamento, mudando as regras do mercado e liberando a banda para a propagação via rede.
Ouça, mas ouça sem parar Donkey. Abaixo o clipe oficial de Left Behind.