O atual formato de debates entre candidatos, que as emissoras se gabam de ser um triunfo democrático, não passam de ferramenta de marketing para os políticos e as emissoras.
A Band abriu na última quinta-feira (31/07) sua série de debates em várias capitais. Em Brasília, onde resido atualmente, foi transmitido o debate entre os candidatos de São Paulo, que acompanhei, pois ainda voto na capital paulista, minha cidade.
O que se viu no ar foi uma arena, bem mais amena que os antigos debates da década de 80, que não serve para absolutamente nada, literalmente nada, a não ser para a venda de cotas publicitárias para a emissora que patrocina o evento.
Debate para estas emissoras significa antecipar tabelas de venda para as agências de publicidade. Os canais estão pouco preocupados com o processo democrático, o que importa é usar o clima de tensão latente para encontrar patrocinadores, travestindo o programa de lição de cidadania para qualificar o produto.
O político sabe onde está se metendo. No debate não poderá apresentar nada que preste para o público, pois ali o que vale é a pressão da audiência, as respostas estudadas e arranjadas com assessores e a espera da falha do adversário.
Se as emissoras quisessem realmente prestar um serviço democrático, abririam uma série de programas sobre os problemas das cidades levando os candidatos para um encontro com o público, em debate aberto com o cidadão, e não com jornalistas e publicitários que só pensam em representar sua classe social e seus ideais de elite em detrimento dos problemas diários que os moradores de baixa renda enfrentam nos grandes centros e em bairros pobres da periferia.