Arquivo para Agosto, 2008

Enfim, chuva! E uma noite inesquecível!

31/08/2008

Que presente de aniversário seria melhor em uma cidade como Brasília do que chuva? Sim, chuva. Para quem não é destas paragens, eu explico: aqui em Brasília ficamos mais de 120 dias sem um pingo de água. Nem aquelas chuvinhas levíssimas e isoladas de julho surgiram. Nada!

Fim de agosto é crítico e o cidadão passa até a sonhar com chuva, como aconteceu comigo nas últimas semanas devidamente afetado por uma faringite.

Ontem completei 35 anos e além da chuva, recebi o presente de uma festa com batalha musical que não organizei. Não que fosse surpresa, nada disso, eu sabia, pois o Cezinha, organizador e impulsionador, foi quem tratou de disparar o mail com a idéia de que os convidados trouxessem seus Ipods, celulares, notebooks ou qualquer coisa que executasse músicas para realizar a programação musical do evento. Eu simplesmente montei meu mixer no hometheater para que os equipamentos fossem espetados e pronto… todos viraram DJs com direito a prêmio fabricado pela senhorita Bia: uma bela caixa estilizada com Ipod e fitas cassete. Dentro, sabonetes com o desenho RSS. Um primor.

Aqui vai um relato íntimo, que raramente digo aqui, mas que vale neste momento. Eu não me dou bem com meu aniversário, detesto festas e não gosto que a atenção esteja voltada para mim. Acho que existem problemas demais no mundo, e pessoas bem mais interessantes do que eu, para que tudo gire ao redor do meu umbigo. Discuti isto com minha antiga analista inúmeras vezes. Reuniões em bares e outras coisas já aconteceram, claro, mas geralmente gosto de sumir nesta data.

Mas ontem, ontem… o que aconteceu foi mais que uma festa, foi uma volta à minha infância. Em certo momento, parei para observar e rir de felicidade com todas as pessoas amadas presentes, algumas já mais antigas desta jornada em Brasília, e outras mais novas, porém igualmente solidárias e idealistas. E todos se divertiam com os desafios de estilos musicais para manter a pista animada. Grafo pista sem aspas pois a sala virou isso mesmo, literalmente.

Nesta volta mental, me lembrei que talvez minha última festa foi aos 12 ou 13 anos de idade, exatamente igual a ontem, com crianças encantadas ouvindo músicas e tocando discos. Na época, Radio Pirata e Thriller estouravam nas bolachas. Todos aqui eram crianças de novo e por um momento senti falta dos chápeus de festa, bolo, apitos, língua de sogra e brigadeiro. Vi casais enamorados, futuros casais e aquela garota encantadora que eu sempre esperava, e espero, todos os dias, desde minha timidez adolescente até a maturidade paciente. Flertes, sorrisos, birras e encantos criaram um dia inesquecível, com tudo que eu gosto: boa conversa, boa música e pessoas incríveis.

Agradeço a todos, especialmente ao Cezinha, que passou por cima da minha ranzinzice bem humorada com sua amizade para não deixar eu desistir da idéia.

No final, crianças, voltem sempre com seus pacotes debaixo do braço, seus discos, seus cassetes, seus vestidos de bolinha e macacão xadrez. O garoto aqui do vídeo-game estará esperando vocês.

Bebe Brasil e Manguaça Cidadão: a revolução social no Brasil

29/08/2008

Ontem tive a grata surpresa de encontrar em Brasília, no Beirute 2, Maurício Ayer, um ilustre membro do blog Futepoca (Futebol, Política e Cachaça).

A certa altura da conversa, já devidamente lubrificada, descobrimos um ponto de convergência em dois projetos públicos, que nasceram separadamente de idéias revolucionárias de grandes pensadores da sociedade. Aqui em Brasília, Eu, Elias Mussi, Cesar Cardoso e outros tantos seres etílicos da noite criamos o Bebe Brasil, um progama para facilitar o acesso do cidadão a sua santa cachaça.

Maurício e outros iluminados em São Paulo, criaram o Manguaça Cidadão.

Decidimos então acabar com qualquer possível diferença político-partidária, em prol da sociedade, para unificar estes dois belos exemplos de programas sociais. Conclamo os fundadores do Bebe Brasil em Brasília a se apresentarem amanhã para redefinirmos as linhas do nosso projeto. Feito isto, apresentaremos a base para os colegas do Manguaça Cidadão.

Será triunfante, inovador, espetacular. Vamos mudar as bases da sociedade brasileira!

Mais Tori Amos

26/08/2008

É impossível deixar o deleite de lado quando se trata do trabalho profundo da cantora Tori Amos. Quanto mais se ouve ou ve, mais dela é desejado.

Do álbum Scarlet’s Walk, de 2003, saiu o single A Sorta Fairytale. Com a canção, um clip surpreendente, dirigido por Sanji, que tem a participação do ator Adrien Brody.

Este clipe merece ser visto e revisto por muitas vezes, pela beleza das imagens, pelos efeitos impecáveis, pelo roteiro delicado, pela interpretação de Tori e Adrien e pela poesia de representar pequenos detalhes de um relacionamento.

Na Jukebox Mental, Tori Amos

26/08/2008

A cantora americana Tori Amos é uma artista conceitual, com uma obra intimista geralmente voltada para sonhos, angústias, religiosidade e experiências íntimas e pessoais. Não foi a toa que ela conquistou a amizade de Neil Gaiman, um dos gênios da arte pop literária como roteirista de quadrinhos e escritor de obras já imortalizadas como Sandman e 1602.

Em seu álbum de 1992, Little Earthquakes, Tori Amos compôs uma faixa em homenagem ao seu amigo Gaiman, chamada Tear in your Hand, que você ve em vídeo logo abaixo.

São trabalhos interligados. Ao ler Gaiman é possível encaixar como trilha sonora mental as faixas de Tori Amos… e ao ouvir Tori, imediatamente ressurgem textos, frases e quadrinhos de Gaiman, misturadas as suas lembranças particulares, em pequenos flashbacks de ángustia, felicidade, medo, terror e paixão. É como acender um pavio sem saber o destino da faísca.

Na Jukebox Mental, Bidê ou Balde

24/08/2008

Formada no Rio Grande do Sul em 1998, com 3 álbuns no curriculum, a banda Bidê ou Balde é um estouro de criatividade musical que se estende para a internet pelo grafismo do seu site. Em 2004, o grupo atualmente formado por Carlinhos Carneiro, Rodrigo Pilla, Vivi Peçaibes e Leandro Sá lançou “É preciso dar vazão aos sentimentos”. Um dos destaques deste trabalho é a faixa “Mesmo que mude”, regravada pela banda para o Acústico MTV Bandas Gaúchas em 2005, que você vê logo abaixo. Alerta: é extremamente prejudicial para corações sensíveis e saudosos.

Horáro eleitoral, diversão garantida

23/08/2008

Tem gente que não aguenta ver o horário eleitoral gratuito na TV. Quando começa, imediatamente desligam a TV.

Eu não. Mesmo em Brasília, que este ano não tem eleição, saio caçando nos canais abertos os programas dos partidos.

A militância política nos dá esse hábito ao longo dos anos e eu aprendi a me divertir com os candidatos a vereador.

No canal 40 de Brasília, chega o sinal de São Paulo, minha cidade. E lá está um desfile de más produções e bizarrices.

Explodi de rir ao ver o filho do falecido Enéas Carneiro. Só podia ser o Enéas Filho. A barba e a careca são as mesmas do pai e o terno… o rapaz segue a velha piada do “o defunto era maior”. O bordão é o mesmo do pai.

Avanir, seguidora de Enéas, avançou na rede com seu site. O seu jingle de campanha é a trilha de Rocky, o lutador, adaptada com o nome dela. De tão ruim, o site dela se replica em e-mails e no YouTube, fazendo a campanha se espalhar pela baixa qualidade criativa. Pelo visto, parece ser uma idéia elaborada, para virar um viral de rede.

Com os jogos olímpicos terminando, agora as campanhas pegam fogo. A mídia se voltará toda para as eleições. E vai ser mais divertido ainda descobrir outros candidatos que ainda não apareceram nos programas.

Vida instantânea

21/08/2008

É assim que o cidadão deve participar nos próximos anos das transmissões de TV Digital. Ou pelo menos deveria ser, se as emissoras de TV conservadoras permitissem participação em conteúdo e não pensassem somente em compras pelo usuário.

O Qik é uma ferramenta que permite transmissão ao vivo, via celular, para sua página no site. Basta instalar um aplicativo que gera o streaming direto para a página, criando um blog de vídeo.

Depois de exibido ao vivo, o sistema o armazena para futuras consultas. Veja o teste aqui na minha página, gerada a partir de um celular N95.

É a vida instantânea, transmitida ao vivo, no convexo do Big Brother.

Mãos que fazem

18/08/2008

Recebo da amiga Sandra Flosi um mail relatando o trabalho das costureiras comunitárias de Caraúbas do Piauí, cidade do interior do Piauí que aos poucos está crescendo devido ao trabalho sério do projeto de desenvolvimento da FENAE, Federação dos Funcionários da Caixa.

Em dois anos a cidade recebeu postos bancários, capacitação em inclusão digital, formação de cooperativas, dentre tantas outras coisas que melhoraram o padrão de vida dos moradores de Caraúbas.

Agora, com o telecentro, as costureiras da cidade montaram um blog para divulgar suas atividades. Fantástico!!! Abaixo, o mail de convite para que todos acessem o blog!!!

É com muito orgulho que convido a todos para visitarem o blog http://coopeart.blogspot.com/

que está sendo produzido por costureiras de Caraúbas do Piauí, mulheres que nunca tinham sequer visto um computador na frente delas até um ano atrás.
Agora, todos poderão acompanhar a história dessas mulheres fantásticas que aceitaram o desafio de se organizarem para montar uma cooperativa e ampliar sua frente de trabalho e também o desafio de participarem de um conselho gestor de um telecentro, onde estão dando os melhores exemplos.

Jukebox Semanal: Donkey, com Cansei de ser Sexy

16/08/2008

A primeira audição (atrasada por sinal) do novo álbum do CSS (Cansei de ser Sexy) no sábado passado foi um petardo sonoro. Desde então, Donkey, o segundo trabalho da banda paulistana, não sai do Ipod e do note, transformando minha jukebox mental em uma nova categoria, a semanal.

Desde Sepultura o Brasil não possuia uma banda que arregimentasse fãs mundo afora. O Cansei de ser Sexy conseguiu o feito, enfrentando o mundo hostil do movimento indie para cair das graças do berço das bandas independentes européias, Londres, e seu público ávido por coisas novas o tempo todo. A ferramenta: a Internet. Mais uma vez a rede explode novas tendências, enquanto ainda boa parte da indústria fonográfica continua cega para os novos movimentos midiáticos. O vídeo que começa este post mostra o público empolgado com o CSS no festival de Glastonbury de 2007.

Donkey é quase a supremacia sonora da banda desde o CD independente de estréia em 2005. Pode-se ouvir em todas as faixas diversos elementos da música pop moderna desde a década de 70, com boa cortina de guitarras e teclados que nos remetem a Joy Division, Talking Heads e o New Wave da década de 80. Give Up, a faixa 5, tem um início Ian Curtis. Move, a faixa 9, é David Byrne. Believe Achieve, a faixa 11, é um misto de New Order e Pet Shop. Em tudo, claro, o indie rock está presente.

Como diz Cezinha, a vocalista Lovefoox chegou cedo ao equilíbrio vocal, sem tantos agudos estridentes que tapeiam os ouvidos. Sua marca está lá, voz alta e condutora das pistas. Todo o conjunto sonoro da banda evoluiu muito. Na história do grupo, formado em 2003, as noções musicais de todos eram básicas e despretenciosas. Hoje, o gene X está em tudo: bateria, baixo, vocais e teclados.

Donkey foi testado nos palcos. Em diversos vídeos no YouTube pode-se ver a banda tocando as faixas com o público. Por isso a maturidade sonora atual. Tudo, repetindo, deliciosamente despretencioso.

Aqui vale um elogio aberto para a gravadora Trama e seu novo conceito para o lançamento do álbum. Tudo é de graça para o público. No site, pode-se baixar capa, encarte e claro, as músicas em MP3, tudo patrocinado via site e somente nele. Ou seja, uma empresa bancou os custos de gravação e lançamento, mudando as regras do mercado e liberando a banda para a propagação via rede.

Ouça, mas ouça sem parar Donkey. Abaixo o clipe oficial de Left Behind.

É o João sim…

15/08/2008

De tantos e tantos celulares disponíveis na noite de ontem, no Ibirapuera em São Paulo, durante show do cantor João Gilberto, somente um vídeo está disponível no YouTube.

É regra básica do cantor: não se pode filmar e fotografar.

Um trecho, com ele agradecendo e saindo, é decepcionante para quem está longe.

As lentes amadoras poderiam ter sido mais ousadas, registrando uma faixa toda com este gênio.