Arquivo para Julho 28th, 2008

TSE opta pelo mínimo esforço na Internet

28/07/2008

Já tratei em post anterior sobre o desequilibrio eleitoral patrocinado pelo TSE desde a publicação da resolução 22.718 que regula, no capítulo IV, o uso da Internet na campanha.

Os candidatos só podem ter uma página oficial e nada mais. Perfis no Orkut, Twitter, envio de e-mails e qualquer outra aplicação de comunicação na web ficam proibidos.

O presidente do TSE, Carlos Ayres Brito, e o relator Ary Pargendler mostraram seu desconhecimento pleno sobre o que a Internet representa no mudo de hoje para os eleitores e candidatos. Ambos querem transformar a rede em uma simples rádio ou TV.

O alvo da lei não pode ser o candidato sério, que apresenta boas propostas, e nem o eleitor que deseja entender melhor as plataformas de campanha para definir seu voto, buscando as informações pelos caminhos democráticos da web.

O alvo da lei deve ser o mau candidato, aquele que permite atos difamatórios em seu nome pela equipe de marketing.

Vou contar um exemplo de péssimo uso da web pela comunicação neocom que assola a imprensa brasileira.

Em 2006 trabalhei na campanha eletrônica do presidente Lula. O setor era responsável pelos boletins eletrônicos da campanha, resposta para os e-mails do público e investigação dos e-mails falsos que circulavam na rede para atacar o presidente.

O que mais me deixou escandalizado não foi lidar com os ataques baixos de campanha (tudo isso é praticamente “normal” no processo eleitoral) foi o uso de táticas neocom para influenciar o eleitorado. Explico.

No Orkut existem diversas comunidades católicas e evangélicas, as maiores em membros. Com perfis falsos, porém muito bem construídos com comunidades e amigos, para ser realista, os falsários começavam discussões religiosas sobre aborto, com boa fundamentação, mudando somente o foco da argumentação quando necessário. No meio da discussão, eles inseriam levianamente o nome do presidente como alguém favorável ao aborto para se aproveitar da falta de informação das pessoas. O presidente é claramente contra o aborto, como já afirmou em várias entrevistas para a imprensa.

A tática era muito bem construída, fundamentada. Era feita por profissionais de marketing, que sabiam exatamente o tempo e o momento de inserir a informação falsa para tocar a consciência do eleitor praticante religioso.

Este é um exemplo de como o TSE quer o mínimo esforço contra os abusos da lei eleitoral. Não basta generalizar para punir. É preciso saber o que é ruim na Internet, identificar o autor e então partir para punição, exigindo dos provedores e sites a localização de quem pratica a campanha baixa.