Arquivo para Julho 22nd, 2008

Na Jukebox Mental, Downtown Train com Tom Waits

22/07/2008

O cantor, compositor e ator Tom Wais, nascido em 1949 nos EUA, é um dos gênios da música contemporânea em franca atividade. Formado na escola do blues, jazz e vaudeville, Tom Waits lançou seu primeiro álbum, Closing Time, em 1973, há exatos 35 anos. Ol’55 abria o disco, uma balada de asfalto. Nenhum outro músico sabe interpretar as ruas como ele. Logo em seguida veio The Heart of Saturday Night, em 1974, com a mesma faixa título, e outras como Drunk on the Moon.

Waits foi experimentando estilos, instrumentos e mudando o tom da voz, que ficou praticamente gutural a medida que os anos passavam. Em 1982 compôs toda a trilha do filme One From the Heart, de Francis Ford Coppola, que lhe rendeu uma indicação de melhor trilha original na Acadêmia.

Como ator, Waits atuou em Cotton Club, Brincando nos Campos do Senhor de Hector Babenco, Dracula de Bram Stocker, Short Cuts (Robert Altman) e Coffee and Cigarretes de Jim Jarmusch, e mais recentemente interpretou o diabo no inédito O Imaginário Doutor Parnassus, de Terry Gillian, o último filme em que Heath Ledger trabalhou.

Confira abaixo o clip de Downtown Train, do álbum Rain Dogs de 1985. Tom Waits é a noite, o canto, o cigarro, a bebida, o asfalto e a solidão.

A mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo

22/07/2008

Para os fãs de cinema e comédia, categorias em que me encaixo com vigor, a perda de Dercy Gonçalves abre um pequeno hiato na imortalidade da comédia.

É evidente que ligar os pontos de um texto do Woody Allen, interpretar a metalinguagem dos Phyton e imaginar os sons de Chaplin são engrandecedores e nos levam ao raciocínio mais crítico da nossa presença diante das pessoas, como legítimos seres patéticos. Nunca esqueço de um professor de História do colegial que dizia: “O ser humano é tão estúpido que ri das necessidades naturais dos outros, como soltar um flato”.

Comediantes populares como Dercy, Oscarito, Zé Trindade, Grande Otelo, Golias e outros tantos de igual talento zombavam da precariedade de compreensão dos intelectuais para os fatos sociais comuns. É como se eles possuissem um canal direto com o povão, uma linha exclusiva de comunicação, num código comum que criava admiração e cumplicidade. Não importa compreensão política, basta subverter o sofrimento para falar de igual para igual.

Ao contrário do que dizem os intelectuais de caserna, Dercy não fazia rir pelos palavrões de fácil compreensão para a baixa renda. Como comediante, ela era o espelho dos trejeitos da população, que se sentia muito bem representada por ela.