Arquivo para Julho 19th, 2008

Dercy Gonçalves, uma vida para a TV

19/07/2008

Desta vez vamos a mais três vídeos de Dercy. O primeiro é da novela Cavalo Amarelo, de 1980, da TV Bandeirantes, escrita por Ivani Ribeiro. Dercy interpretava a ex-vedete Dulcinéa. Contracenando com Yoná Magalhães, Dercy é levada para uma academia, para malhar. O sucesso do seu papel rendeu outra série, Dulcinéa Vai a Guerra. Os dois outros vídeos são do tempo em que Jô Soares era bom, com seu Jô Onze e Meia no SBT. Na entrevisa de 1995, Dercy escracha o prefeito da sua cidade natal e conta o caso do seu encontro com uma pomba gira num cemitério. Prepare seu fôlego para rir.

Dercy Gonçalves, uma vida para o cinema popular

19/07/2008

Dois momentos de Dercy Gonçalves. O primeiro vídeo é do filme “Minervina vem ai”, de 1959, dirigido por Eurides Ramos. Em cena, Dercy e Norma Blum. O segundo vídeo é do filme “Entrei de Gaiato”, de 1960, dirigido por J.B. Tanko com um elenco de cair o queixo: Costinha, Zé Trindade, Grande Otelo, Emilinha Borba e as irmãs Linda e Dircinha Batista.

Dercy, hoje venerada pela Globo, fez dois programas na casa na década de 60: Dercy Espetacular em 1966 e Dercy de Verdade em 1968. Quando a Globo começou sua guinada pela “qualidade” no início dos anos 70, Dercy foi uma das primeiras atrizes populares do elenco a ser retirada do ar, assim como Chacrinha. Em acordo com os militares, a emissora se comprometeu a ajudar na “educação do povo” com programas mais cultos e elaborados. Vejam vocês o que temos hoje no ar. Fiquemos com Dercy e o seu deboche com a elite.

O Coringa

19/07/2008

Para Alexandre Martins*

Um cinema repleto, em silêncio mortal.

Em Brasília, as pessoas costumam falar durante as exibições como se estivessem em casa, mas em uma das sessões de estréia de Dark Night, o Cavaleiro das Trevas, com sala cheia, em diversos momentos ouvia-se até a respiração do público.

O mérito disto é de Heath Ledger na pele do Coringa, o principal vilão de Batman em toda a obra de Bob Kane.

A graphic novel O Cavaleiro das Trevas, escrita e desenhada por Frank Miller em 1987, tratou de recompor o Coringa em sua essência, como um psicopata e um ser ligado umbilicalmente a Batman: um não vive sem o outro. O Coringa, na sua psique, é uma extensão do herói descontrolado.

Heath Ledger criou definitivamante o Coringa para o cinema, jogando por terra a atuação de Jack Nicholson no filme de 1989 dirigido por Tim Burton. Era essa a interpretação que todos sonharam em ver no cinema.

O erro de Nicholson, e talvez de Tim Burton, foi o de não ter interpretado o palhaço como Jack Torrance, o maníaco de O Iluminado de Stanley Kubrick baseado na obra de Stephen King. Pois Heath Ledger o fez. É possível ver os traços de Nicholson e sua psicopatia no Coringa de Ledger, e talvez esta tenha sido sua piada mortal em protesto as reclamações de Jack por não ter sido escalado para o papel novamente.

O público espera as aparições de Ledger durante todo o filme, e quando ele não está em cena, é como se o roteiro do filme não andasse, tamanha a sua esquizofrenia no papel. Suas aparições geram tensão a todo instante, pela maneira imprevisível como se comporta em cena.

Ledger incorporou trejeitos revoltantes ao personagem. A língua constante que passeia pelos seus lábios, com pequenas chupadas de saliva no canto da boca, irritam profundamente, como uma tortura, desencadeando asco e atração pela personagem. É impossível retirar os olhos dele, mesmo quando contracena com atores de peso como Gary Oldman.

É uma maldição. Heath Ledger deu vida ao Coringa e ao mesmo tempo sepultou qualquer possibilidade de outro ator interpreta-lo no futuro. Receio que a DC e o diretor Cristopher Nolan não tenham mais opções daqui pra frente, a não ser escalar outros vilões realistas para o confronto com Batman. Abaixo, mais cenas de Ledger.

* In Memoriam