Arquivo para Julho, 2008

Na Jukebox Mental, John Hiatt

31/07/2008

John Hiatt é um autor de canções conhecidas em outras vozes, pelo menos no Brasil, como Have a Lillte Faith in Me, com Joe Cocker, e Riding With the King com Eric Clapton e B.B. King.

Hiatt faz parte de um circuito muito alternativo, e de alta qualidade, da música americana. Seu estilo passeia pelo rock, folk e blues em baladas e também canções dançantes, como Cry Love do álbum Wak On, que você vê no clip imediatamente abaixo.

Quem assistia o extinto programa Sessions At West 54, exibido pelo canal Sony, pode ver Hiatt na apresentação do programa, ocupando o lugar que foi de David Byrne.

Civita faz tentativa patética de melhorar a credibilidade do Almanaque Abril no Jô

30/07/2008

Roberto Civita, dono da Abril, esteve na tela da Globo nesta madrugada, durante o Programa do Jô, para comemorar os 40 anos do verdadeiro Almanaque Abril, a Veja.

Foi um inútil longo papo de amigos, afinal Jô trabalhou no Almanaque por 7 anos como colunista, que me deixou a sensação de que ali existem duas pessoas completamente cegas para a atual falta de qualidade editorial da revista.

Luis Nassif tem escancarado com o seu “Dôssie Veja” toda a falta de caráter jornalístico da revista e seus editores nos últimos anos.

Civita, o chefe da Torre de Isengard, talvez não tenha computado em seus infortúnios o verdadeiro achincalhe que levou do presidente Lula, que ridicularizou a revista em rede nacional, depois da célebre capa dos dólares de Cuba, em que a fonte da notícia era um homem morto.

A entrevista foi uma tentativa patética de tentar recuperar a credibilidade de uma revista tacanha, que a cada dia perde leitores e assinaturas. As comunidades contra a revista se multiplicam no Orkut desde 2005.

Foi constrangedor ver algumas capas históricas da revista servindo de forro para uma conversa de comadres, que não sabem analisar seu papel diante da expansão da comunicação alternativa via Internet, mídia que oferece aos leitores jovens a possibilidade de novas fontes de informação e um novo conceito de busca de notícias factuais e opinativas.

Para comemorar os 40 anos do Almanaque Abril, Civita com sua equipe está preparando um seminário para discutir os próximos 40 anos de Brasil. Eu dispenso com toda pompa essa visão de futuro.

O Brasil ideal para a atual redação da revista seria um país sem movimentos sociais, com um eterno poder nas mãos da classe média, com mais achatamento das bases sociais, com mais concentração da comunicação na mão de poucos e, principalmente, um país sem Estado, privatizado, com toda a riqueza pública entregue para os seus amigos que sustentam suas revistas e TVs com bom dinheiro da farta publicidade, vide Daniel Dantas e seus “investimentos” em mídia.

Abro mão. Do meu futuro os senhores do Almanaque não tomarão conta!

TSE opta pelo mínimo esforço na Internet

28/07/2008

Já tratei em post anterior sobre o desequilibrio eleitoral patrocinado pelo TSE desde a publicação da resolução 22.718 que regula, no capítulo IV, o uso da Internet na campanha.

Os candidatos só podem ter uma página oficial e nada mais. Perfis no Orkut, Twitter, envio de e-mails e qualquer outra aplicação de comunicação na web ficam proibidos.

O presidente do TSE, Carlos Ayres Brito, e o relator Ary Pargendler mostraram seu desconhecimento pleno sobre o que a Internet representa no mudo de hoje para os eleitores e candidatos. Ambos querem transformar a rede em uma simples rádio ou TV.

O alvo da lei não pode ser o candidato sério, que apresenta boas propostas, e nem o eleitor que deseja entender melhor as plataformas de campanha para definir seu voto, buscando as informações pelos caminhos democráticos da web.

O alvo da lei deve ser o mau candidato, aquele que permite atos difamatórios em seu nome pela equipe de marketing.

Vou contar um exemplo de péssimo uso da web pela comunicação neocom que assola a imprensa brasileira.

Em 2006 trabalhei na campanha eletrônica do presidente Lula. O setor era responsável pelos boletins eletrônicos da campanha, resposta para os e-mails do público e investigação dos e-mails falsos que circulavam na rede para atacar o presidente.

O que mais me deixou escandalizado não foi lidar com os ataques baixos de campanha (tudo isso é praticamente “normal” no processo eleitoral) foi o uso de táticas neocom para influenciar o eleitorado. Explico.

No Orkut existem diversas comunidades católicas e evangélicas, as maiores em membros. Com perfis falsos, porém muito bem construídos com comunidades e amigos, para ser realista, os falsários começavam discussões religiosas sobre aborto, com boa fundamentação, mudando somente o foco da argumentação quando necessário. No meio da discussão, eles inseriam levianamente o nome do presidente como alguém favorável ao aborto para se aproveitar da falta de informação das pessoas. O presidente é claramente contra o aborto, como já afirmou em várias entrevistas para a imprensa.

A tática era muito bem construída, fundamentada. Era feita por profissionais de marketing, que sabiam exatamente o tempo e o momento de inserir a informação falsa para tocar a consciência do eleitor praticante religioso.

Este é um exemplo de como o TSE quer o mínimo esforço contra os abusos da lei eleitoral. Não basta generalizar para punir. É preciso saber o que é ruim na Internet, identificar o autor e então partir para punição, exigindo dos provedores e sites a localização de quem pratica a campanha baixa.

Na Jukebox Mental, Tower of Power

27/07/2008

Com uma discografia de tirar o fôlego, são 18 álbuns desde 1970, a banda americana de soul e funk Tower of Power atravessou três décadas, com idas e vindas em sua formação, sem perder a genialidade musical na execução dos metais e na percussão, marcas quase sagradas para as bigbands fundadas na soul music.

Grandes sucessos dançantes e baladas passearam pelo repertório da banda, como What is Hip, So Very Hard To Go, Attitude Dance, You’re Still a Young Man, Social Lubrication, As Surely as i Stand Her e Soul Vaccination, que você vê em performance ao vivo no vídeo imediatamente abaixo.

Arquivo X: Eu quero acreditar

26/07/2008

O novo longa baseado na série Arquivo X, em cartaz desde ontem (25/07), não é um filme fácil para quem espera cenas de ação e correria. O diretor e roteirista Chris Carter levou um autêntico episódio para a tela grande, em homenagem aos fãs da série.

Em “Eu quero acreditar” Chris Carter resolveu, enfim, fazer cinema, usando sua estética consagrada na série. Os planos longos e diálogos intensos forçam a atuação dramática de David Duchovny e Gillian Anderson, esta, uma grande atriz, pouco aproveitada no cinema norte-americano, que ainda não descobriu seu potencial.

Os dois atores, apesar de terem muito fôlego, mostram as marcas do tempo. Foram sete anos desde o fim do seriado e 10 desde “Resista ao futuro”. É preciso conceituar em que ponto da vida Mulder e Scully estão. Ele, recluso em uma casa de campo revirando seu passado. Ela, ligada a projetos de caridade como médica, sua formação, agarrada a religiosidade. Ambos, ressentidos e amargurados pela perda filho.

Neste contexto, o diretor e o roteirista Frank Spotnitz foram corretos ao abordar todo o universo Xcer dramático. Fora de suas atividades regulares, os ex-agentes não poderiam se envolver em uma caçada em outro continente ou, novamente, buscar uma nave alien. O enfrentamento diante deste ponto da vida é com seus seres bizarros internos como culpa, desistência, fraqueza e morte. Por isso, as paisagens permanentes de gelo e neve, durante todo o filme.

Ao fim da projeção, fica a sensação para espectadores e fãs de um certo fracasso em nossas pequenas lutas cotidianas. “Arquivo X: Eu quero acreditar” é um filme amargurado, mas que nos provoca a levantar e seguir.

Qual a função desta matéria da Record?

25/07/2008

O Jornal da Record, em sua edição de ontem, 24/07, apresentou matéria sobre a proposta de pensão vitalícia para ex-presidentes apresentada pelo governo no texto sobre reforma política que irá para o Congresso. Veja a matéria aqui.

Vejam que ao final do vídeo, um especialista em ética pública, o Prof. Octaciano Nogueira, oferece sua opinião para o público, dizendo que “não tem necessidade disso”.

Qual a função desta matéria? Que pauta é esta? Nas entrelinhas fica para o público a sensação de que a proposta segue agora somente pq o presidente Lula precisa de uma pensão vitalícia. E não precisa. Como ex-parlamentar, o atual presidente tem recursos para viver para o resto da vida.

A pauta é maldosa, por si só. Independentemente de um presidente ser de esquerda, direita, centro ou “octogonal”, o homem ocupou o cargo mais importante do país e da administração pública, e, desde Collor, foram eleitos pelo voto popular. Portanto, seguindo a tal “liturgia do cargo”, todos devem ter uma forma de manter a dignidade do cargo que ocuparam, porque carregam consigo a imagem do país que administraram.

Nos EUA todos os ex-presidentes tem sua verba para funcionários, seguranças, carros e gabinete, pagos pelo executivo. Até Richard Nixon, que caiu no caso Watergate!

É impressionante a capacidade da imprensa conservadora brasileira de provocar o caos com pautas inúteis e sem sentido.

Explicação

24/07/2008

Não pensem que este blog parou com suas críticas ao comportamento da imprensa conservadora brasileira.

Desde o caso Gilmar Mendes, fiz um passeio nos últimos posts sobre cinema e música.

Sinceramente, fiquei cansado e estarrecido com o fato de um ministro do STF ter ajudado o maior quadrilheiro do país a escapar da prisão. Resolvi descansar o pensamento, mas a indignação continua a mesma, principalmente com a imprensa conservadora, que nos últimos 5 anos escondeu as ações de Daniel Dantas e agora o redescobre, depois das ações da PF, como se fossem seus os furos e como se não fosse com ela os problemas.

A única grande revista de circulação nacional que tratou do assunto foi a Carta Capital. Tudo o que a imprensa conservadora publica agora como novidade, a Carta já havia denunciado antes.

Enfim, só para esclarecer.

Arquivo X: I want to believe

23/07/2008

A semana que termina provoca ansiedade nos cinéfilos e xcers de plantão.

Na sexta estréia o segundo filme baseado na série Arquivo X, do produtor, roteirista e diretor Chris Carter.

Arquivo X durou nove temporadas e influenciou toda a concepção das séries de TV na década de 90 e até hoje pode-se ver seus elementos em diversas outras produções de ficção.

Para quem nunca viu um episódio, entrar na mitologia da série pode dar um certo trabalho, mas nada que não seja prazeiroso ao longo dos roteiros criativos e assustadores.

Chris Carter estabeleceu uma linha política. A trama principal relata a conspiração do governo americano para esconder a vida alienígena e a busca de Fox Mulder pela informações que revelem  a verdade sobre estes fatos. Isso percorre todas as nove temporadas em 64 episódios. Veja aqui no Omelete a lista completa desses episódios.

Misturado a isso, estão episódios deslocados, que não pertencem a trama principal e podem ser vistos por qualquer desavisado sem prejuízo para compreensão.

Chris Carter bebeu muito nos filmes do cineasta canadense David Cronemberg. Todos os episódios de Arquixo X tem um prólogo misterioso, em que o suspense é apresentado antes da vinheta de abertura, para depois ir se desenrolando para um fato bizarro. De tantos filmes de Cronemberg, indico “Enraivecida pela fúria do sexo” para comparação.

Que venha o bonde do Arquivo X na sexta!

Na Jukebox Mental, Downtown Train com Tom Waits

22/07/2008

O cantor, compositor e ator Tom Wais, nascido em 1949 nos EUA, é um dos gênios da música contemporânea em franca atividade. Formado na escola do blues, jazz e vaudeville, Tom Waits lançou seu primeiro álbum, Closing Time, em 1973, há exatos 35 anos. Ol’55 abria o disco, uma balada de asfalto. Nenhum outro músico sabe interpretar as ruas como ele. Logo em seguida veio The Heart of Saturday Night, em 1974, com a mesma faixa título, e outras como Drunk on the Moon.

Waits foi experimentando estilos, instrumentos e mudando o tom da voz, que ficou praticamente gutural a medida que os anos passavam. Em 1982 compôs toda a trilha do filme One From the Heart, de Francis Ford Coppola, que lhe rendeu uma indicação de melhor trilha original na Acadêmia.

Como ator, Waits atuou em Cotton Club, Brincando nos Campos do Senhor de Hector Babenco, Dracula de Bram Stocker, Short Cuts (Robert Altman) e Coffee and Cigarretes de Jim Jarmusch, e mais recentemente interpretou o diabo no inédito O Imaginário Doutor Parnassus, de Terry Gillian, o último filme em que Heath Ledger trabalhou.

Confira abaixo o clip de Downtown Train, do álbum Rain Dogs de 1985. Tom Waits é a noite, o canto, o cigarro, a bebida, o asfalto e a solidão.

A mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo

22/07/2008

Para os fãs de cinema e comédia, categorias em que me encaixo com vigor, a perda de Dercy Gonçalves abre um pequeno hiato na imortalidade da comédia.

É evidente que ligar os pontos de um texto do Woody Allen, interpretar a metalinguagem dos Phyton e imaginar os sons de Chaplin são engrandecedores e nos levam ao raciocínio mais crítico da nossa presença diante das pessoas, como legítimos seres patéticos. Nunca esqueço de um professor de História do colegial que dizia: “O ser humano é tão estúpido que ri das necessidades naturais dos outros, como soltar um flato”.

Comediantes populares como Dercy, Oscarito, Zé Trindade, Grande Otelo, Golias e outros tantos de igual talento zombavam da precariedade de compreensão dos intelectuais para os fatos sociais comuns. É como se eles possuissem um canal direto com o povão, uma linha exclusiva de comunicação, num código comum que criava admiração e cumplicidade. Não importa compreensão política, basta subverter o sofrimento para falar de igual para igual.

Ao contrário do que dizem os intelectuais de caserna, Dercy não fazia rir pelos palavrões de fácil compreensão para a baixa renda. Como comediante, ela era o espelho dos trejeitos da população, que se sentia muito bem representada por ela.