A televisão brasileira vive um momento histórico. Hoje existem duas emissoras de TV de peso no Brasil: Globo e Record. Isto não pode ser mais ignorado por quem trabalha com comunicação no Brasil.
Eu sempre repito aqui em Brasília para os assessores de imprensa de plantão que é um erro pensar na Globo primeiro quando se trata de televisão.
O império de audiência da Globo, conseguido às custas do arrocho no mercado publicitário, que sufoca outras mídias, aliado a sua afinidade com a ditadura no Brasil, chegou ao fim com o crescimento da Record.
Pela primeira vez números consolidados mostram que a Globo não tem mais fôlego para abocanhar toda a audiência. Em São Paulo a Record teve 53% de audiência da Globo, com uma média de 9,8 pontos contra 18,4, durante o mês de abril.
Este quadro deve se ampliar. A nova novela das 8 da Globo foi a pior estréia dos últimos 20 anos, com 34 pontos. A estratégia da Record foi muito simples: exibiu o último capítulo da sua novela Caminhos do Coração no dia da estréia de A Favorita, mantendo uma média de 23 pontos com picos de 29, que se repetiu no ínício da continuação Os Mutantes na noite desta terça, 03/06, com um ponto a mais de média, ficando com 24.
Mas não é somente na matemática que isso acontece. É no comportamento cotidiano que se vê a mudança, com as pessoas comentando nas ruas sobre os produtos da Record. O default dos aparelhos em estabelecimentos comerciais, como padarias, cabeleireiros e bares, também se alterou. Em Brasília é comum andar pelas ruas pelas manhãs e ver as lojas sintonizadas no Fala Brasil e Hoje em Dia, programas da Record.
É briga de mercado, nada mais, pq o modelo de financiamento das TVs continua o mesmo, com concentração das verbas do mercado publicitário. Sair Globo e entrar Record na liderança é trocar seis por meia dúzia, só mudará a orientação religiosa.