Muitas revoltas cotidianas me afetam.
Uma das coisas que mais me revoltam é quando alguma autoridade pública joga a culpa no sistema que administra, como se não fosse com ele, para justificar a incompetência dos serviços.
Brasília tem um Metrô que liga as cidades satélites ao avião, o Plano Piloto. O Metrô só atende a Asa Sul e não vai para Asa Norte.
Obviamente, um erro fatal: significa que os moradores da cidade, que se deslocam invariavelmente por toda a Asa, irão procurar sempre o ônibus a partir da Asa Sul para visitar um parente, ir para um bar ou trabalhar, por ser a opção mais econômica. Um cidadão que está no final da Asa Sul não vai pegar o Metrô para descer na rodoviária e depois pegar outro ônibus.
A Secretaria de Transportes do DF, de tempos em tempos, joga a culpa do mau uso do Metrô ao prejuízo que dá para os cofres públicos. Atualmente, toda mídia conservadora do DF tem repetido sistematicamente que o Metrô dá prejuízo de R$ 100 milhões, informação divulgada pelo Metrô-DF.
Esta afirmação, alimentada por assessoria de imprensa, visa enganar o público e desviar o foco da incompetência para expandir o Metrô diante dos problemas de deslocamento urbano da cidade.
Dinheiro aplicado em transporte público não é gasto, é investimento social, e o Estado tem que arcar com essas reponsabilidades.
Uma pesquisa simples no Google mostra que pela imprensa, o GDF sistematicamente sobe as cifras do tal “prejuízo”. Em matéria do Correio de 2006 a cifra era de R$ 60 milhões. Depois de 2 anos, a cifra sobe.
O sistema de õnibus do GDF é um sistema praticamente em frangalhos, caríssimo, com passagens que vão de 2, 3 e 3,50 reais, dependendo da distância. O governo Arruda, de forma surpreendente, apertou o cerco e pediu a troca dos ônibus carroças, logo no início da gestão, mas os erros persistem. Ônibus com acessiblidade praticamente não se vê circulando, obrigando deficientes a serem içados pelas portas dos veículos.
A empresas de transportes públicos sempre tiveram ligação muito próxima com os governantes, principalmente com o ex-governador e ex-senador Roriz, que foi acusado de receber propina de Nenê Constantino, dono de 36% da frota de ônibus que circula na cidade. Em todas as suas gestões, Roriz permitiu que 3 famílias comandassem o transporte da cidade.
Dai, blogleitores, vcs podem concluir os motivos da pouca expansão do Metrô no DF.
16/05/2008 às 2:37 pm
Além de tudo é uma mentira deslavada, essa do prejuízo do metrô. Ando de final de semana e as estações estão sempre cheias. No dia do aniversário de Brasília, que o metrô estava com catraca livre, milhares de pessoas se amontoaram nas filas. Ok, não precisa ter catraca livre todos os dias, mas sem dúvida foi uma amostra clara da grande demanda reprimida que existe nessa parte. Se baixarem as tarifas, com certeza as pessoas vão passar a usar mais o metrô. Outra coisa: precisa permitir integração do metrô com outros meios, como bicicletas.
14/01/2009 às 10:36 am
Neste mes de janeiro somente tem zebrinha 16 fazendo percurso entre a asa norte e a esplanda do ministerio. Ele passa pela w3 na quadra 706/707 totalmente lotado e com as pessoas de pé (total desconforto), o intervalo entre os coletivos chegam a mais de 40 minutos. Não tem mais onibus comum, porque?