Arquivo para Maio 16th, 2008

Para GDF, transporte público não é investimento, é gasto

16/05/2008

Muitas revoltas cotidianas me afetam.

Uma das coisas que mais me revoltam é quando alguma autoridade pública joga a culpa no sistema que administra, como se não fosse com ele, para justificar a incompetência dos serviços.

Brasília tem um Metrô que liga as cidades satélites ao avião, o Plano Piloto. O Metrô só atende a Asa Sul e não vai para Asa Norte.

Obviamente, um erro fatal: significa que os moradores da cidade, que se deslocam invariavelmente por toda a Asa, irão procurar sempre o ônibus a partir da Asa Sul para visitar um parente, ir para um bar ou trabalhar, por ser a opção mais econômica. Um cidadão que está no final da Asa Sul não vai pegar o Metrô para descer na rodoviária e depois pegar outro ônibus.

A Secretaria de Transportes do DF, de tempos em tempos, joga a culpa do mau uso do Metrô ao prejuízo que dá para os cofres públicos. Atualmente, toda mídia conservadora do DF tem repetido sistematicamente que o Metrô dá prejuízo de R$ 100 milhões, informação divulgada pelo Metrô-DF.

Esta afirmação, alimentada por assessoria de imprensa, visa enganar o público e desviar o foco da incompetência para expandir o Metrô diante dos problemas de deslocamento urbano da cidade.

Dinheiro aplicado em transporte público não é gasto, é investimento social, e o Estado tem que arcar com essas reponsabilidades.

Uma pesquisa simples no Google mostra que pela imprensa, o GDF sistematicamente sobe as cifras do tal “prejuízo”. Em matéria do Correio de 2006 a cifra era de R$ 60 milhões. Depois de 2 anos, a cifra sobe.

O sistema de õnibus do GDF é um sistema praticamente em frangalhos, caríssimo, com passagens que vão de 2, 3 e 3,50 reais, dependendo da distância. O governo Arruda, de forma surpreendente, apertou o cerco e pediu a troca dos ônibus carroças, logo no início da gestão, mas os erros persistem. Ônibus com acessiblidade praticamente não se vê circulando, obrigando deficientes a serem içados pelas portas dos veículos.

A empresas de transportes públicos sempre tiveram ligação muito próxima com os governantes, principalmente com o ex-governador e ex-senador Roriz, que foi acusado de receber propina de Nenê Constantino, dono de 36% da frota de ônibus que circula na cidade. Em todas as suas gestões, Roriz permitiu que 3 famílias comandassem o transporte da cidade.

Dai, blogleitores, vcs podem concluir os motivos da pouca expansão do Metrô no DF.