
Até a produção da série Piratas do Caribe em 2001, os grandes filmes de aventura foram abandonados desde Indiana Jones e a Última Cruzada em 1989. Não encaixo no gênero “aventura” séries scifi, como Star Wars, ou filmes de ação com policiais, como Máquina Mortífera.
Fecho o cerco em aventura com filmes centrados em um personagem com uma missão, que podem ser realistas, como Lawrence da Arábia, ou notadamente pops e fícticios como Indiana Jones.
O mais recente filme da série Indiana, O Reino da Caveira de Cristal, é uma celebração ao gênero feita por Steven Spielberg e George Lucas.
Nas contínuas histórias sobre a origem da personagem imortalizada por Harrison Ford, surge o fascínio dos dois produtores por James Bond e o desejo contido de um dia trabalharem em qualquer filme da linha 007. Diante da impossibilidade, resolveram criar o seu James Bond, na figura do arqueólogo Indiana Jones.
Spielberg é um diretor que preserva a produção cinematográfica. Em todos os seus filmes, apesar dos recursos de efeitos digitais disponíveis, ele insiste em criar grandes cenários em amplas áreas de estúdio e usar o mínimo em computação gráfica. É uma celebração ao grande cinema, respeitando o trabalho de cenógrafos, maquiadores. continuístas, maquinistas e figurinistas.
Em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Spielberg construiu grandes sets de filmagem e uma das maiores cenas de aventura do cinema: a sequência da perseguição em plena selva, com carros em movimento e lutas constantes, sua marca na série.
Harrison Ford conseguiu o feito de fazer sua personagem envelhecer com dignidade em cena. Com 65 anos, Ford não se furtou aos momentos de ação ainda que nas cenas mais perigosas um dublê tenha sido escalado. Mas ai está o dedo do roteiro certeiro: as cenas de ação são muito bem distribuídas para Ford brilhar, mas abrem espaço para Shia LeBouf em seu papel mais adulto no cinema, fugindo do estereótipo de eterno adolescente. Karen Allen, que interpretou Marion em Os Caçadores da Arca Perdida, retorna para protagonizar uma das melhores declarações de amor do cinema, além de um papel chave para a maturidade de Indiana, como sua paixão definitiva.
Spielberg poupou muitos closes sobre Harrison e Karen. Nos poucos que surgem, pode-se ver como o tempo agiu sobre os dois. Em contraponto, suas lentes se focaram na beleza e talento de Cate Blanchett fazendo a vilã soviética, antagonista de Ford. Kate faz uma vilã tão convincente e esteriotipada que na coletiva de imprensa da apresentação do longa em Cannes pediu desculpas aos russos e moradores do leste europeu pela interpretação, que poderia ressuscitar rusgas e lembranças da guerra ideológica travada entre EUA e URSS.
Críticos se levantarão das tumbas para dizer que o Reino da Caveira de Cristal é cheio de estereótipos políticos, totalmente voltado para o ponto de vista americano nas disputas. E é. O longa é um fiel retrato das posições políticas ocidentais da imprensa e da indústria do entretenimento em plena Guerra Fria.
Enquanto eles pensam nisso, divirta-se. Abaixo, Cate Blanchett e Harrison Ford em cena.
