Atualmente leio a história da vida do comediante Oscarito, um dos nossos gênios brasileiros, retratado no livro “Oscarito, o riso e o siso” do jornalista Flávio Marinho.
O texto é mais raso do que um 1 cm, mas vale pelos depoimentos do próprio Oscarito, de Eva Todor, Dercy Gonçalves e tantos outros artistas, além da família. Não esperem uma biografia, pq não é, e nem se compara a pérolas como os livros de Ruy Castro sobre Garrincha e Nelson Rodrigues.
O espanhol Oscarito, que chegou ao Brasil com dois anos de idade, foi o retrato fiel da comédia brasileira na primeira metade do século XX. A pantomima e o humor físico transformavam qualquer frase dita por ele em algo escancaradamente engraçado. O bom comediante conta a piada com o corpo, num aceno ou um passo.
Abaixo, um trecho de Romeu e Julieta, com ele e Grande Otelo. Aliás, os detalhes da cena, uma paródia, mostram o olhar dramático de Grande Otelo ao buscar no texto de Sheakspeare os detalhes para verbalizar com uma puxada de vogal ou palavra a piada. É o talento de antecipar a reação do público, de saber o que será engraçado no instante seguinte. Dois gênios que emocionam.