Ontem, 30/03, fui realizar a tradicional corrida do fim da tarde nas quadras 700 aqui de Brasília. Moro na 708 e geralmente vou até a 714 e volto.
Entre as quadras 711 e 712 encontrei dois hidrantes sem as tampas, jorrando água como se fosse um filme de Spike Lee.
Imediatamente veio a indignação com a CAESB por permitir tal desperdício de água potável nas ruas do DF.
Pensei: bem, posso ligar para algum veículo e denunciar o descaso da CAESB, para que a imprensa cobre da entidade pública o conserto.
Pensei também que como as tampas são de ferro, alguém as teria roubado para vender, assim como fazem com peças de cobre.
Inúmeras hipóteses e todas passavam por uma certa raiva com a CAESB.
Já em casa, liguei inicialmente para o 115 da empresa. Informei o desperdício e a atendente me disse que a CAESB estava na área para encontrar um vazamento na tubulação e que a abertura dos hidrantes na área era necessária para tirar a pressão dos canos e encontrar o local. Sosseguei.
É com esse ímpeto que muitos veículos de comunicaçào da mídia conservadora, e seus jornalistas, agem no Brasil. Olham o fato, avistam o inimigo político e levantam suas hipóteses, sem ir mais a fundo para permitir o contraponto, a contrapauta.
Foi o que fez o Almanaque Abril no caso do levantamento de dados da presidência com os cartões do governo Lula e FHC.
A revista pegou dados que os tucanos passaram, possivelmente Eduardo Jorge que estava escalado pelo tucanato para levantar essas infos (leia post Tapiocas e Bruxarias do Nassif), e viram nisso a possibilidade de criar o factóide para atacar o governo e a ministra Dilma.
Notem que Dilma passou a ser alvo depois de participar das inaugurações do PAC com o presidente, o que a alçaria, segundo a imprensa conservadora, a candidata para 2010. Se fosse Marta, Ciro, qualquer outro, seria a mesma coisa, seria o alvo.
Para não ficarem fora do furo, o que é vergonhoso para os veículos que precisam de credibilidade para obter verbas de publicidade, Folha e Estadão foram sacramentar as hipóteses, repercuntindo isso como uma vergonha nacional, dando mínimo espaço para que a ministra se defenda. Nas entrelinhas, vejam que o que ela fala sempre está cercado por mais hipóteses de falsidade dos jornais, reforçando o discurso da defesa absurda, que já conduz o leitor a desqualificar imediatamente qualquer palavra ou ato do atingido.
As ilustrações das matérias, com fotos, sempre mostram a ministra com o semblante de raivosa, com os dentes a mostra, ou com ar aparvalhado, estratégia típica da imprensa conservadora para demoralizar mais e impedir a defesa do acusado.
A construção de uma notícia falsa se dá por desinformação, vilania política e necessidade de adquirir mais credibilidade para aumentar faturamento.
Citei o meu caso acima para mostrar que muitas vezes o fato noticioso é fabricado assim, com o ímpeto de quem enxerga em qualquer ação simples a possibilidade de atacar, sem usar o discernimento como fonte de apuração.
Ainda bem que parei pra pensar!

