Começo avisando que nunca me dei bem com musicais. Ao longo da minha compreensão cinematográfica, sempre foi um pouco ridículo ver uma cena interrompida por canto e dança. Neste processo de encantamento diário com o cinema, passei a me dedicar mais a eles e me emocionar com Gene Kelly, Fred Astaire e também com as comédias musicais, como o original e o remake de “The Producers” de Mel Brooks. De tempos em tempos alguma coisa afeta esta emoção, como foi o péssimo Evita de Alan Parker, com Madonna e Antonio Banderas, ator que acredita que é cantor mas sua mãe ainda não teve coragem de lhe pedir: – Filho, dedique-se somente a atuação com diálogos.
Mas então, para apagar da mente estas coisas péssimas, surge o diretor Tim Burton adaptando o musical da Broadway “Sweeney Todd, o demoníaco barbeiro da Rua Fleet” com o impecável Johnny Deep no papel título, Helene Bonham Carter como a Sra. Lovett e Alan Rickmann no papel do repulsivo juiz Turpin.
Segundo a Wikipedia, Sweeney Todd pode ter existido mesmo como um dos primeiros assassinos em série de Londres.
Com navalhas e lentes afiadas, Tim Burton produziu um musical que não caiu nas amarras da pieguice. Os diálogos das personagens são musicados sem necessidade da dança literal, apenas com a interpretação física dos atores. E como se trata de um filme do soturno Tim Burton, apesar do humor negro sempre presente, aos poucos os espectadores são levados para um mundo de horror. Sweeney Todd é sem dúvida o mais cruel e violento filme do diretor, talvez para fazer contraste e se redimir da leveza de Big Fish.
O ator e comediante Sacha Baron Cohen, mais conhecido como Borat, está no filme como o Sr. Pirelli, o charlatão italiano que vende barbitúricos contra calvície. O Sr. Pirelli é parte importante do roteiro, pois será ele que irá inaugurar o “modus operandi” de matar de Todd a partir de uma chantagem banal.
Bom filme e uma dica: não leve as crianças.
Abaixo, Johnny Deep e Alan Rickman em cena de Sweeney Todd.


