Em 1968 o império da droga pura de Frank Lucas (Denzel Washington) começa a ser construído para ocupar o espaço da marginalidade branca, comandada pelos irlandeses e italianos nas ruas de Nova Jersey e Nova York nos idos de 1970. O incorruptível, e por isso defenestrado, detetive Richie Roberts (Russel Crowe) é escalado pela sua conduta para comandar um grupo de policiais com o seu perfil, cuja missão é desbaratar os grandes fornecedores da cocaína diluída e vendida nas ruas como heroína. Este é o cenário da história real contada pelo diretor Ridley Scott em American Gangster, filme que entrou em cartaz no Brasil na última sexta (26/01). Os próprios Frank e Richie foram os consultores do filme no roteiro e algumas cenas, como pode ser visto aqui no site oficial.
Com raciocínio empresarial para os negócios, e frieza e violência no trato com indisciplinados, Frank Lucas restaurou a “companhia” montada pelo seu padrinho e mentor, também negro, que acreditava ser dono dos negócios, mas que no fundo era mais um empregado dos brancos. Sem intermediários, Lucas foi direto na fonte da droga, comprar a cocaína pura direto dos produtores no Vietnã. Para o transporte do produto ele utilizava os aviões militares americanos que estavam no meio da guerra, sustentada pela política de Richard Nixon, então presidente dos EUA.
Ridley Scott refez a história da máfia, até então dominada pelo raciocínio cinematográfico de Francis Ford Copolla na trilogia “O Poderoso Chefão”. Enquanto Dom Corleone era inspirado em mafiosos reais, Frank Lucas foi o próprio, um negro, que derrubou o poder da máfia branca ao levar a droga 100% pura por um preço duas vezes menor para as ruas, viciando e matando mais seus clientes dependentes.
Denzel Washington e Russel Crowe deveriam ganhar um Globo de Ouro por semana depois deste filme. Somente na parte final, no momento da prisão e nos depoimentos de Frank, seus personagens se encontram para travar um duelo de cinismo e sarcasmo. A reconstituição de época, cada vez mais detalhista nas grandes produções, leva o público para as ruas de Nova York e New Jersey em plena ascenção da Soul Music e do estilo Black Power. Prestem atenção em Cuba Gooding Jr em um papel pequeno, mas o melhor de sua carreira.

