Arquivo para Dezembro, 2007

De Ilha Comprida, Litoral Sul de Sao Paulo

31/12/2007

Sempre que venho para Sao Paulo sou agraciado com alguma “denúncia” contra alguma figura pública.

Desta vez nao foi diferente. Um bem informado trouxe a denúncia de que um deputado federal comprou dois iates, cada um pelo valor de R$ 3 milhoes. O tal deputado (nao direi o nome para nao perpetuar o boato) é um exemplo de batalha pela vida pública, um sobrevivente da política brasileira.

Diante disso, digo: se tem tal informaçao, com provas, nao é a mim que tem que dizer. Deve ir para o Ministério Público, Corregedoria da Câmara ou a imprensa. Entao vem a frase: “Ah, foi um amigo que me contou, que tem um gerente amigo do amigo de uma empresa”. Pronto, o estrago da imagem foi feito.

Quem repassa as informaçoes tem a ilusao de que é bem informado, por que recebeu de alguém que pensa a mesma coisa. É o boato baseado no poder…

Quem está acima, e tem mais dinheiro e contatos, tem a “credibilidade” para saber mais e melhor. Essa é uma das fontes de boato. Encerro com o mesmo que disse ao boateiro: se a informaçao for real, você também é conivente por nao denunciar. Isso é corruçao passiva, prevista em lei.

P.S. Obrigado a Débora Pinheiro por recolher todos esses SMS e publicar por mim. Estou em Ilha Comprida, sem conexao. Até o ano que vem.

Quem administra o HC de São Paulo?

27/12/2007

A imprensa conservadora brasileira trata o Hospital das Clínicas de São Paulo como se fosse um ente deslocado do poder público, sem controle do Estado de São Paulo.

Prestem atenção: nas matérias veiculadas na imprensa sobre o incêndio que atingiu o prédio dos ambulatórios do HC no dia 25, nenhuma cita o governo do Estado de São Paulo, na figura do tucano José Serra, como o responsável pelo hospital. Em tempo: o HC é vinculado a Universidade de São Paulo, ligada ao governo do Estado.

Para desvincular o acidente da imagem do governador, a imprensa ajuda somente citando diretores do hospital e seus representantes, sem questionar o secretário de saúde ou o governador. A técnica é a mesma do acidente do Metro em janeiro passado: fala-se de tudo, menos da responsabilidade do governador, representante máximo do Estado, que administra o hospital. Afinal. é preciso preservar o “amigão” das redações José Serra, candidato constante a um cargo público, no caso, para presidente em 2010.

Fazer bom jornalismo não dói

26/12/2007

Fazer bom jornalismo não faz mal a ninguém. O repórter da TV Record Rodrigo Vianna, que foi defenestrado da Globo em 2006 por discordar da cobertura parcial das eleições presidenciais, foi para Caracas, capital da Venezuela, para entender como o governo de Hugo Chavez trabalha no país.

Rodrigo mostrou as ações sociais do governo de Chavez nas áreas mais pobres da cidade. Em saúde, médicos cubanos (parceria Venezuela-Cuba) visitam as regiões carentes para prevenir doenças e encaminhar os casos mais graves para hospitais bem equipados.

As cooperativas populares estão em alta na Venezuela. Um grupo de trabalhadoras mantém uma confecção que fornece roupas para a companhia petrolífera do país.

A imprensa conservadora brasileira, que se pauta pela imprensa americana, insiste em dizer que Chavez é um ditador e que suas políticas não funcionam.

Rodrigo Vianna mostrou que existe política social no país e que a população sustenta Chavez pq vê resultados públicos. O mesmo acontece com Lula no Brasil. E mostrou tb a opinião da oposição, encastelada nos bairros nobres da capital venezuelana. Fazer bom jornalismo não dói.

Cloverfield: monstro destruidor sob outro ponto de vista

23/12/2007

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O produtor e diretor J.J. Abrams, o mais competente em atividade nos EUA, criador de Alias, Felicity e Lost e responsável por salvar a série Missão Impossível (quase destruída pelo segundo filme de John Woo), trabalhou sigilosamente num novo filme de terror durante 2008, dividindo suas atividades com o novo longa de Star Trek.

A fita se chama Cloverfield e narra o ataque de um monstro a cidade de Nova York. As cenas liberadas pouco a pouco na Internet revelam uma mudança drástica na criação deste tipo de filme. O ponto de vista da ação é todo do público, capturado por câmeras digitais manuais, comuns na casa de muita gente atualmente. As imagens são tremidas e bem definidas, bem ao estilo Operação França, São Franscisco Urgente e Nova York contra o crime.

Os efeitos! Bem, surpreendentes. A foto acima retrata o primeiro ataque, com uma explosão que atira a cabeça da Estátua da Liberdade no meio das ruas, a quilômetros de distância do seu local original. A direção de Cloverfield ficou a cargo Matt Reeves. A estréia americana está prevista para 18/01/2008.

Para ver um teaser de 4 minutos, vá até o YouTube e digite “Cloverfield” no campo de busca. Diversos vídeos surgirão, alguns capturados direto das telas do computador e outros originais. Lembrete: não existem imagens do monstro.

O apartheid televisivo: classe média alta tem rosto embaçado digitalmente

21/12/2007

Duas garotas foram presas ontem a noite (20/12) em Brasília por furto a uma barreira de trânsito. A motorista do carro disse para os policiais na delegacia que queria decorar o seu quarto. Veja matéria aqui no site beta Mundo Record. Digite na busca dos vídeos pela tag “presas brasília”.

Era uma barreira amarela enorme, que pode ser vista no vídeo.

Não vi essa matéria em nenhuma outra emissora, somente na Record, que devia estar com seus jornalistas-policiais na blitz.

Sempre que pessoas de classe média alta são detidas, as emissoras de TV se preocupam em resguardar a privacidade dos presos. Veja na foto abaixo.

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A Record Brasília teve o cuidado de embaçar digitalmente o rosto das meninas durante toda a matéria. Não acredito que elas tenham se recusado a assinar o termo que cede imagens, que nestes casos não é aplicado.

Ladrões, traficantes, menores infratores, ou qualquer outro tipo de criminoso segundo a lei, não tem o direito de assinar o termo de imagem, afinal, precisam ser expostos para a sociedade, para que esta se proteja. São julgados e condenados na TV.

Casos recentes de furtos, como aconteceu em São Paulo em 2006 com uma mulher desempregada que roubou um pote de manteiga para matar a fome do filho e ficou presa por meses, levam o rosto dos acusados diretamente para as telas, pq são pessoas carentes, de classe pobre, e por isso as emissoras de TV já retiram o direito previsto por lei de privacidade.

Para as garotas de Brasília, de classe média alta, na moda, com seu belo carro e saindo para a balada, a ação não passa de uma peraltice que precisa ser punida com uma bela bronca. Seus rostos precisam ser preservados, pq podem ser filhas de algum desembargador, ministro do STF, STJ, parentes de deputado, conhecidas de algum anunciante da emissora ou, simplesmente, elas podem ter os melhores advogados da cidade.

Se a segurança das duas como cidadãs foi preservada do reconhecimento do público da Record, é preciso também aplicar a técnica do embaçamento digital para todos que forem presos diante das câmeras.

Este é o apartheid televisivo, agora em versão HDTV.

Vivas para Aloysio Biondi

19/12/2007

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Depois de seis anos ininterruptos de trabalho, Antonio Biondi e Pedro Biondi, filhos do inesquecível jornalista Aloysio Biondi, anunciaram oficialmente o site com todo legado intelectual do mestre numa festa de lançamento em São Paulo na última terça-feira, dia 18/12.

Aqui em Brasília, com muitos amigos advindos da Cásper Líbero em São Paulo, acompanhei em conversas de bar o andamento do site. Muita gente trabalhou! Rodrigo Savazoni, Daniel Merli, Christiane Peres, Vitor Reis, Lais Garcia e tantos outros que colaboraram digitando textos e ajudando na concepção de navegação e design.

Aloysio Biondi me ensinou a duvidar da imprensa econômica brasileira e da constante manipulação das estatísticas dos ditos “especialistas econômicos” que até hoje infestam jornais e revistas, repetindo como papagaios os comentários das fontes do mercado brasileiro.

De forma direta, com um desenho limpo e um sistema de busca pra lá de eficiente, desenvolvido em software livre, os internautas poderão consultar toda a obra de Biondi, desde 1956 até o ano 2000, quando faleceu num mês de julho.

Os livros da série “O Brasil privatizado” escancararam a fraude da privatização da era FHC, numa análise profunda de números e dados que somente o espírito indignado de Biondi poderia mostrar. Do site: “O cálculo cuidadoso mostra que o discurso da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso escondia o fato de que R$ 87,6 bilhões não entraram ou saíram dos cofres públicos nesse processo. Isso precisava ser descontado do saldo. “O balanço geral mostra que o Brasil ‘torrou’ suas estatais, e não houve redução alguma na dívida interna, até o final do ano passado (1998)”, escreveu o jornalista. O livro foi um campeão de tiragem: mais de 130 mil cópias.”

Cada texto de Biondi é a representação da humildade para esclarecer, mostrando sua preocupação em sempre escrever para que todos pudessem compreender, sem usar os subterfúgios do pedantismo e academicismo. Sua intenção era explicar, da forma mais simples possível, outros caminhos para a economia, fugindo do tom parcial da imprensa conservadora. Cada linha de Biondi era uma escola.

Viva Biondi! E é com profunda emoção que escrevo esse post. Parabéns aos irmãos que só encontrei por coincidência: Tonho na rodoferroviária de Brasília e Pedro na mesa do Feitiço Mineiro, na despedida do Novo Savazoni de Brasília, há duas semanas. Eles não se lembram de mim, mas eu me lembro muito bem do pai deles.

Na Carta Capital: oposição trai acordo para a CPMF

17/12/2007

A matéria da Carta Capital sobre a votação da CPMF na semana passada, cuja capa está reproduzida imediatamente abaixo, mostra o viés das negociações da votação que a imprensa conservadora fez questão de esconder.

Na leitura saborosa do texto de André Siqueira, Leandro Fortes e Márcia Pinheiro, jornalistas que fizeram o bom trabalho, inclusive criticando o governo por certa inabilidade nas negociações, fica evidente que os negociadores da oposição só estavam fazendo jogo de cena ao receber as propostas. Na última delas o governo ofereceu uso integral da CPMF para a Saúde por um ano e lutar pela reforma tributária. Os papagaios de FHC, representados por Arthur “5%” Virgílio concordaram, mas no dia seguinte traíram o acerto a votaram contra.

Era o jogo atirado à imprensa conservadora, que se preparava nas gavetas para as manchetes do dia seguinte. Carta Capital merece sempre ser lida e relida, pq é o contraponto positivo da imprensa marrom brasileira.

A capa da semana: Arthur “5%” Virgílio é o papagaio de pirata de FHC

17/12/2007

A capa da revista Carta Capital desta semana resume em uma imagem o papel de Arthur “5%” Virgílio na retirada dos recursos da saúde, educação e programas sociais, além é claro de favorecer a farta sonegação de imposto no país. Arthur “5%” Virgílio foi o papagaio de FHC, o verdadeiro articulador da queda da CPMF. Um senador sem personalidade, um mamulengo, manipulado pelo símbolo do ostracismo político brasileiro. Veja capa abaixo.

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CPMF: a palhaçada de Arthur “5%” Virgílio

14/12/2007

O líder do PSDB no Senado, e fantoche de FHC, senador Arthur “5%” Vírgilio, já admite negociar com o governo a volta da CPMF por um ano com destinação total dos recursos para a Saúde.

Exatamente a mesma proposta que foi feita pelo governo durante a sessão da quarta-feira que derrubou a contribuição.

Arthur “5%” Virgílio, o John Voigth brasileiro, brinca com a população carente e chama a todos nós de estúpidos.

Sustentou uma pendenga política somente para impor derrota ao governo, nada mais. Os governadores tucanos sabem o desastre para seus estados sem a CPMF.

O dileto senador não teve nem coragem de comemorar a vitória, pois sabia que seria um escárnio que poderia lhe valer votos no futuro.

Agora, para tentar remediar o erro, diz que está aberto a negociação para a volta da CPMF.

Vejam o estrago da irresponsabilidade: o executivo já solicitou a retirada do orçamento 2008 do Congresso para refazer as contas.

O novo orçamento somente será aprovado em fevereiro e o país vai virar o ano usando sobras do orçamento de 2007.

Diversos programas sociais e emendas parlamentares destinadas a melhorias na saúde e infra-estrutura perderão dinheiro.

A área de inclusão digital fica ameaçada, pois não é considerada prioridade e pode ter seu orçamento reduzido ou derrubado.

Tudo pela irresponsabilidade política, a favor da sonegação fiscal.

Em tempo: o 5% grafado no nome de Arthur Virgílio aqui neste blog se refere a votação que ele teve em seu estado, o Amazonas, quando tentou surfar na onda do mensalão e saiu para governador do Estado. A população do seu estado o rejeitou veementemente com uma votação pífia.

Contribuição Provisória sobre o Mercado de Luxo

13/12/2007

O blogleitor Homero Mattos vai além da idéia da CVMF na sua contribuição nos comentários. Replico aqui em post na integra para ajudar no debate.

Sugestão:

Além da CPMF-V (voluntária), que tal compensar a perda de receita da CPMF com:
1) instituição da CPML, ou seja: Contribuição Provisória sobre o Mercado de Luxo.
De tal modo que, por exemplo (na produção ou consumo): carros importados ou nacionais a partir de um determinado valor pagam, por unidade, imposto equivalente ao valor de um ônibus para a melhoria do transporte coletivo. Ou, bebidas importadas pagam, por unidade, imposto equivalente ao valor de uma caixa de leite. Ou, ainda, imóveis de luxo a partir de uma certa m2 pagam, por m2, imposto equivalente a construção de uma escola pública padrão básico. Ou, mais ainda, diárias em hotéis de luxo (ou refeições em restaurantes idem) pagam imposto equivalente a uma dúzia de leitos hospitalares.
Considere-se que este imposto haverá de aumentar na medida em que aumentarem os ítens para os quais visa-se o benefício.

2) eliminação de todos os impostos sobre a produção destinada ao consumo de baixa renda, produção esta entendida como, por exemplo, aquela voltada para os setores de: Habitação, Saúde, Saneamento e Educação.

Conte comigo (e, tenha certeza, muita gente mais) para tal.
Abraços,
Homero Mattos Jr.